Fim do mundo?

Quando eu era menino e ouvia conversas sobre o fim do mundo, acreditava e estremecia de pavor. Era fantasia de criança, mas os grandes também acreditavam. Os cristãos, por exemplo, têm um livro sagrado todo ele dedicado a descrever os horrores do fim do mundo, o dia do juízo final, justos para os céus, injustos para o fogo eterno: o livro do Apocalipse. Um guia turístico do México, explicando-me uma pirâmide, disse-me que os maias e os astecas acreditavam que o universo era regido por um calendário segundo o qual o ciclo do tempo se completaria em 49 anos, que é 7 vezes 7. Aí, quando chegava o finzinho do ano 48 e o mundo deveria acabar em um ou dois dias, todos paravam, ninguém trabalhava ou cozinhava, esperando a catástrofe terrível, e até se punham a ajudar os deuses, destruindo tudo o que havia. Entretanto, o fim não acontecia; concluíam, então, que os deuses haviam resolvido começar tudo de novo, punham-se a rir e a dançar sobre as ruínas do mundo que terminara e tratavam de construir um mundo novo que começava do nada.

Diretores…

…e diretoras. Preciso começar pelo ponto em que terminei meu último artigo, pois este vai ser uma continuação da conversa que iniciamos. Vocês se lembram da minha última pergunta: “Quem são seus outros significativos?”
 “Outros significativos” é um conceito da Sociologia de que me valho sempre. Estamos cercados por “outros”: os caminhantes na rua, os que [...]

Como funciona a inteligência

Vou contar uma historinha acontecida comigo para explicar como funciona a inteligência…
Eu era um menino de 6 anos. Ainda não estava na escola. Morava numa casa bem pequena, em uma cidade do interior de Minas. A casa vizinha era motivo da minha inveja. Um bosque: cinco laranjeiras, quatro mangueiras, oito jabuticabeiras, um pessegueiro, duas ameixeiras. [...]

As pessoas ainda não foram terminadas

Quais são as diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso citar todas. Só posso mencionar algumas.
O sábio conhece com a boca, o cientista com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, é conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra sapio, em latim, quer dizer “eu degusto”. [...]

A sala da diretora

Há um livro que nunca li, mas que entendi só pelo título: A linguagem do corpo.  O corpo tem uma linguagem sonora, a música da voz, e uma silenciosa, feita de gestos: o jeito das mãos, a posição das pernas. Por exemplo, nunca fique afundada na poltrona ao receber a visita de uma pessoa chata. [...]

Uma feijoada como objeto interdisciplinar

Uma boa notícia! Saiu publicada! O Conselho Nacional de Educação aprovou o fim de disciplinas no Ensino Médio! Será, então, possível lecionar os conteúdos de maneira interdisciplinar, sem que sejam separados em História, Matemática, Química…
A notícia diz que um dos objetivos dessa medida é tornar os estudos mais atraentes. Sei que os estudos ficarão mais [...]

Aprendendo com as caravelas

Era a minha primeira visita àquela escola de Portugal e tudo me espantava. As crianças estavam todas misturadas em uma única sala — pequenas, grandes, crianças com Síndrome de Down e ouvia-se música clássica. Em uma parede, estavam escritas, com letras maiúsculas, palavras referentes à descoberta do Brasil: estávamos no ano 2000.
Apontei com o dedo [...]

A ideia louca: o sorteio

Ao final de nosso último encontro, eu defendi uma ideia louca, que todos receberam com um sorrisinho de descrença: a de que a melhor solução para a irracionalidade pedagógica e social dos vestibulares seria um sorteio. Para acordar a memória, vou resumir as três primeiras consequências desse sorteio.
A primeira seria de ordem social: por meio [...]

Diretoras…

…e diretores. É a primeira vez que me dirijo diretamente a vocês. Há uma razão para isso. Dei-me conta, repentinamente, da sua importância. E isso porque fui frustrado por uma diretora.
Foi assim: visitei uma escola. Passei o dia conversando com as crianças. Uma zorra deliciosa… Contei estórias. A interação era total. A todo momento, as [...]

Compaixão

Minha neta Camila tem onze anos. Ela estava almoçando quando, de repente, sem razão aparente, começou a chorar. Saiu da mesa e foi para a sala de televisão, onde se deitou num sofá e continuou a chorar. Fui até ela para saber o que estava acontecendo e foi isso que ela me disse: “Vovô, eu [...]

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Biografia

Rubem Alves

Rubem Alves

Psicopedagogo, professor é bacharel e licenciado em Geografia e mestre em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo, especialista em Inteligência e Cognição.
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