O cerco ao cigarro pode aumentar
Em abril de 2007, A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) abriu uma proposta para consulta pública. O órgão quer saber a opinião da população sobre medidas que pretendem restringir o espaço destinado a fumantes em locais públicos e privados. A idéia inicial é que todos os estabelecimentos tenham salas próprias para o consumo de derivados de tabaco (cigarro, charuto, cachimbo, cigarrilhas, etc.), destinadas exclusivamente para isso, onde só possam entrar pessoas com mais de 18 anos.
Ou seja: no “fumódromo” será proibido vender e consumir comidas e bebidas, não poderá haver atrações ou entretenimento e nem será permitida a venda de cigarros. Isso quer dizer que, num restaurante, as pessoas não poderão comer na sala tabagista. E, numa discoteca, a “sala da fumaça” não poderá funcionar como uma mini-pista de dança.
Atualmente, o cigarro é permitido em áreas ao ar livre ou em ambientes que tenham sistema de circulação adequado. Mesmo assim, os não-fumantes acabam inalando fumaça — é sempre bom lembrar que o fumo passivo também pode ter conseqüências muito sérias para a saúde, como o aumento do risco de desenvolver câncer e doenças cardiorrespiratórias.
A proposta da Anvisa é que essa fumaça não se espalhe pelo estabelecimento e fique isolada nas salas especiais, que deverão ter sistema de exaustão, evitando o acúmulo de poluentes derivados do tabaco. Além disso, esses lugares devem ser feitos de materiais que evitem a absorção da fumaça e que sejam não-combustíveis, para evitar eventuais incêndios.
Um ponto muito bacana dessa proposta é justamente a restrição aos menores de 18 anos a esses espaços — afinal, a venda de cigarros no Brasil é proibida para menores. Sabemos que na prática é muito fácil burlar isso, mas o Ministério da Saúde tem que zelar pela saúde dos jovens. Os estudos mostram que cerca de 90% dos adultos fumantes deram suas primeiras tragadas antes de completar 18 anos. Restringir o acesso dos jovens ao tabaco é, sem dúvida, uma forma de diminuir a legião de adultos fumantes no futuro.


