Você é a favor do desarmamento?
Em 23 de outubro de 2005 será realizado o primeiro referendo popular no Brasil. Os cidadãos deverão dizer “sim” ou “não” para a pergunta: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. É a primeira vez que um país consulta sua população sobre a proibição do comércio de armas de fogo. Um tema desse merece pelo menos um pouco de reflexão e debate, né?
Uma pesquisa feita pela ONU mostra que todos os dias 104 pessoas morrem no Brasil vítimas de armas de fogo. O mais triste disso é que a maioria esmagadora das vítimas é composta por jovens com menos de 25 anos. Ou seja, pessoas que estavam começando a vida e tinham todo um futuro para contruir pela frente. Só para você ter uma idéia do problema, a chance de alguém nessa idade morrer por arma de fogo é três vezes maior do que o resto da população.
Desde que o Estatuto do Desarmamento foi aprovado pelo Congresso Nacional, no final de 2003, já é proibido o porte de armas por civis (com exceção de quem sofre ameaça de vida). Isso significa que hoje uma pessoa pode até ter uma arma (é a chamada “posse”), mas não pode ficar andando com ela por aí. Ela pode manter sua arma em casa, mas não pode levá-la consigo pela rua. E só os maiores de 25 anos podem comprar armas.
Segundo os dados do Ministério da Saúde, no ano seguinte ao que a lei entrou em vigor, as mortes por armas de fogo caíram 8% no país. Só no Estado de São Paulo (onde houve a maior entrega voluntária de armas no período), a redução foi de 19%. No Rio de Janeiro, a queda foi de 9%.
Quanto ao referendo, as opiniões são bastante divergentes. O pessoal que defende a proibição da venda de armas alega, por exemplo, que a maioria dos homicídios causados por armas de fogo (cerca de 85%) não são fruto de assaltos, mas sim de brigas comuns (como vingança entre conhecidos que não têm ligação com o tráfico ou qualquer outra ação criminosa). Ou seja, desarmar os civis que não estejam ligados ao crime pode evitar muitas mortes. Outro argumento é que ter uma arma em casa não significa proteção. A pessoa que se vê ameaçada por um criminoso armado precisa ser muito bem treinada para conseguir alcançar a sua própria arma e defender-se. O mais comum é que, nessa operação, o criminoso revide antes ou que haja um acidente.
Já os defensores do comércio legal acreditam que eles têm o direito à legítima defesa e, proibir a posse de armas de fogo seria também privá-los desse direito. A população ficaria, assim, mais vulnerável aos criminosos. Outro argumento contra à venda é que os criminosos não compram seu armamento legalmente, mas sim por vias ilícitas. Ou seja, proibir o comércio legal não serviria para desarmá-los.
Independentemente da sua posição, contra ou a favor do desarmamento, o importante é pensar bastante sobre o assunto, promover debates e, se você for votar no dia 23, faça isso dá maneira mais consciente possível.


