Dificultando o acesso ao cigarro

Se nas décadas de 1940 e 1950 o cigarro estava intimamente ligado ao glamour, hoje ele é lembrado principalmente pelos riscos que causa aos fumantes (sabe-se que tais riscos estão associados tanto aos cigarros diretamente tragados quanto à fumaça aspirada no fumo passivo). A tendência mundial é controlar cada vez mais o acesso ao cigarro e proteger o quanto for possível os fumantes passivos. A nova lei já aprovada pelo Senado, agora válida para o Brasil todo (não apenas para São Paulo), proíbe de vez o fumo em ambientes fechados. Falta a presidente sancionar!

Há quem acuse essa corrente de ser persecutória e ir contra a liberdade individual. Acontece que o cigarro está ligado às principais causas de morte hoje no mundo – incluindo o Brasil –, que são câncer, derrames e infartos. Apesar de serem as doenças que mais matam, elas são passíveis de prevenção. Pelo impacto que causa na população e pelo custo para a saúde pública, não há como negar que o tabagismo se tornou uma questão coletiva, e não apenas uma escolha individual. Assim como o governo tem obrigação de fazer o possível para evitar violência e acidentes de trânsito, por exemplo, ele tem obrigação de cuidar da saúde coletiva. E tentar conter o consumo de tabaco é um modo de agir nesse sentido.

Na Austrália, o cerco está indo além da proibição do fumo em locais públicos ou da propaganda de cigarro. Um projeto de lei prevê que os fabricantes de cigarro terão de adotar uma embalagem padrão, marrom, fosca, na qual a única identificação da marca será o nome em letras também padronizadas. O objetivo é diminuir a atratividade do maço do cigarro, principalmente para os consumidores mais jovens, e destacar as mensagens de conscientização sobre os danos trazidos pelo tabagismo.

Claro que uma lei como essa parece estranha, muita gente reclama, mas por outro lado muita gente também apoia. Isso envolve mudança de comportamento, que não é uma coisa fácil de ser feita de uma hora para outra. Mas, se você pensar bem, até pouco tempo atrás era permitido fumar em aviões. Hoje isso parece surreal! Havia professores que fumavam durante a aula! Você se sentiria tranquilo sabendo que seu filho está tendo aula com alguém fumando na frente dele? Pode ser que, daqui a pouco, você ache estranho também seu filho ser exposto livremente ao cigarro quando for à padaria ou à banca de jornal… É isto que as novas leis, que são consideradas excessivas por alguns, estão tentando fazer: evitar a exposição de crianças e jovens ao cigarro.

Materiais de Aula

    Nenhum material selecionado.

    Avalie este blog

     (63.8%)
     (10.3%)
     (1.7%)
     (1.7%)
     (22.4%)

Esfera de tags

Biografia

Jairo Bouer

Jairo Bouer

Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP –, com residência em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria da mesma universidade.
RSSRSS