Acesso à bebida fica mais difícil
O Estado de São Paulo implantou uma lei que pretende dificultar o acesso de adolescentes às bebidas alcoólicas. Apesar de a venda de bebidas já ser proibida para menores de 18 anos, sabe-se que muitas casas noturnas, supermercados, bares e padarias vendem bebidas a adolescentes sem nenhum problema – e sem pedir qualquer tipo de comprovação de idade.
Com a nova lei, além da venda proibida, fica vetado também o consumo de álcool por menores de 18 nos estabelecimentos. Isso significa que não adianta pedir para o amigo mais velho comprar a cerveja – se você não tiver 18 anos, não vai poder beber lá. O governo começou a fiscalização, e os estabelecimentos que permitirem o consumo por adolescentes serão multados e até interditados.
Pelo menos na cidade de São Paulo, o reflexo da fiscalização já começa a ser notado. Muitas casas noturnas não permitem mais a entrada sem a apresentação de documento de identidade comprovando que o portador tem 18 anos. Os selos lembrando a proibição estão colados em supermercados e padarias (que também começam a cobrar a identidade de forma mais padronizada). Nos finais de semana, dá para ver os fiscais rodando as baladas — assim como aconteceu quando o cigarro foi proibido em locais fechados.
Sabe-se que quanto mais cedo a pessoa começa a beber, maiores são as chances de ela desenvolver dependência. Até os 18 anos o cérebro está passando por processos muito importantes, que envolvem a formação de novas sinapses, morte de uma série de neurônios e estímulo para o funcionamento de outros. Inserir uma substância química no meio dessa confusão torna a pessoa mais propensa a depender da presença desse psicotrópico no organismo. Se é possível evitar tudo isso, por que não esperar mais para entrar em contato com a bebida?
Outro argumento para se esperar até os 18 são os riscos comportamentais que acompanham a embriaguez. Uma pessoa alcoolizada é mais suscetível a se envolver em brigas, a transar sem camisinha e a provocar acidentes de trânsito. Pela própria impulsividade típica da adolescência, esses riscos já são maiores. Juntando a embriaguez, eles crescem exponencialmente. Melhor dar um tempo para tudo amadurecer, não é?


