Você sabia que existe “Festa Junina” em outras regiões do mundo?

Turistas e moradores de Helsinki chegam à ilha de Seuurasaaari’s, Finlândia, para acompanhar a festa do solstício de verão. Foto: Priscila Pugsley Grahl - arquivo pessoal.

Turistas e moradores de Helsinki chegam à ilha de Seuurasaaari’s, Finlândia, para acompanhar a festa do solstício de verão. Foto: Priscila Pugsley Grahl - arquivo pessoal.

Não é com pipoca, amendoim nem com quentão. Em Helsinque, na Finlândia, se comemora o dia de São João, Johannus Day, com carne de rena, salmão e cerveja, entre outras iguarias. É a festa do solstício de verão que ocorre por volta do dia 21 de junho. É o dia mais longo do ano, quando o sol se põe, aproximadamente, à 0h. Desde as 18h, as pessoas se deslocam para uma ilha onde músicas típicas e pessoas vestindo trajes tradicionais e coroas de flores dançam, cantam e encantam os turistas e demais habitantes. Além das roupas antigas e das rodas de dança (muitas vezes ao redor de uma fogueira), a festa também se aproxima da nossa por outro elemento: o casamento, que não é caipira, e sim, muito moderno - um par bem trajado, que na manhã se casou no civil, é apresentado para toda a comunidade, com honras e um cortejo especial.

Uma das diversas fogueiras acesas no Johannus Day. Note que a fogueira tem forma piramidal, característica das criadas em homenagem a São João. Foto: Priscila Pugsley Grahl - arquivo pessoal.

Uma das diversas fogueiras acesas no Johannus Day. Note que a fogueira tem forma piramidal, característica das criadas em homenagem a São João. Foto: Priscila Pugsley Grahl - arquivo pessoal.

A festa finlandesa bem como outras que ocorrem na Europa nos remetem a tempos longínquos. Eram festas pagãs que celebravam a colheita. Nelas, homens e mulheres dançavam ao redor de fogueiras em homenagem ao fogo, elemento purificador, que livraria a terra das pestes e de outros males, trazendo fertilidade. Como as festividades eram populares em quase toda a Europa, na Idade Média a Igreja Católica se apropriou delas, transformando-as em uma celebração para São João.

Homens e mulheres com roupas típicas se preparam para um ritual da festa finlandesa. Note novamente a fogueira, elemento sempre presente. Foto: Priscila Pugsley Grahl - arquivo pessoal.

Homens e mulheres com roupas típicas se preparam para um ritual da festa finlandesa. Note novamente a fogueira, elemento sempre presente. Foto: Priscila Pugsley Grahl - arquivo pessoal.

Como o Brasil foi colonizado por portugueses, a data também chegou aqui. A festa se chamava joanina, mas, com o tempo, virou junina e, como em Portugal, outros santos do mês de junho foram incorporados: Santo Antônio, São Pedro e São Paulo. E as comidinhas? Aqui os quitutes foram criados seguindo o que era típico da nossa terra: batata-doce, abóbora, canjica, milho, etc. Já a dança, a famosa quadrilha, vem de um baile das cortes europeias do século XVIII chamada de quadrille que, com o tempo, foi adaptado, ganhando uma cara tipicamente brasileira. Hoje, também se dança forró… E os rojões? Segundo a tradição, tocam para despertar São João. O balão, que hoje é proibido, deveria levar ao céu os pedidos dos fiéis, e por aí vai…

As bandeirinhas, típicas das festas juninas brasileiras.  Foto: João Vicente. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 genérica.

As bandeirinhas, típicas das festas juninas brasileiras. Foto: João Vicente. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 genérica.

Quando encontrar alguma festa famosa, pode investigar a origem. Talvez você encontre ali muita história…

Por Priscila Pugsley Grahl