Coreia do Norte e os testes nucleares
Novamente a Coreia do Norte surpreendeu o mundo com o lançamento de um míssil de curto alcance após bem sucedido teste nuclear.
O dia 25 de maio de 2009 seria apenas mais uma segunda-feira se não fosse pela notícia do teste nuclear realizado pela Coreia do Norte , seguido do lançamento de um míssil de curto alcance. Segundo o Ministério de Defesa da Rússia, o míssil norte-coreano teria alcance de 130km. Na semana anterior, a Coreia do Norte havia solicitado às embarcações que não trafegassem — até o dia 30 de maio — num raio de 130 km da região litorânea de Hamkyong, nordeste norte-coreano. Para Coreia do Sul, esse já era um aviso de que algo estaria por vir.
Setor de Cartografia/Positivo Informática
Mapa interativo da Ásia , indicando a localização da Coreia do Norte.
Com relação ao segundo teste nuclear, estima-se que a potência esteja entre 10 e 20 quilotons*, contra cerca de 1 quiloton registrado no primeiro teste em outubro de 2006. Tamanha foi a potência da bomba, que mesmo sendo lançada no subterrâneo (10 km de profundidade), sismógrafos do Japão perceberam o abalo.
Para saber mais sobre a Coreia do Norte e os testes nucleares acesse a Reportagem Lançamento de foguete estremece relações internacionais .
E como fica a questão dos arsenais nucleares no mundo?
EUA e Rússia já começaram as renegociações do Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-1), assinado em 1991. Não é a primeira vez que EUA e Rússia se encontram para discutir questões sobre armamento nuclear. No início do governo W. Bush (2001-2009) — mais precisamente em 24 de maio de 2002 —, foi assinado o Tratado Sobre Reduções Estratégicas Ofensivas (SORT, sigla na língua inglesa para Treaty on Strategic Offensive Reductions), com o objetivo de limitar seus arsenais nucleares para, no máximo, 2200 ogivas **.
O clima entre esses dois países ficou um pouco tenso, quando W. Bush pensou em instalar um escudo anti-mísseis no Leste Europeu. Atualmente, acredita-se que a política de Barak Obama favorecerá as discussões e um novo acordo será assinado antes de dezembro de 2009, quando expirará o prazo das determinações do START-1.
Estima-se que antes de 1991, se somado todo o potencial atômico dos países, haveria força para destruir até 36 vezes o planeta. Hoje em dia, após debates e acordos sobre o uso de armas nucleares, o potencial de destruição baixou pela metade, aproximadamente.
Infelizmente, ainda existem países que não aceitam reduzir seus arsenais nucleares, como é o caso da Coreia do Norte. Este, apesar da falta de recursos para manter sua população em boas condições de vida, investe muito na organização das forças militares.
* Quiloton – Unidade de medida utilizada para avaliar a energia que se desprende numa explosão nuclear, e equivalente à energia libertada na explosão de 1.000 toneladas de trinitrotolueno (TNT ou dinamite).
** Segundo o Dicionário Aurélio, ogiva é a parte frontal afilada de um projetil, foguete, ou veículo espacial, e que geralmente carrega a carga útil. Dados atualizados do Bulletin of Atomic Scientists, indicam que a Rússia possui 5192 ogivas e os EUA o total de 4075 ogivas.
Teimosia norte-coreana
A Organização das Nações Unidas (ONU), ao tomar conhecimento dos atos norte-coreanos, reuniu seus membros em uma assembleia extraordinária. A decisão do Conselho de Segurança foi única: condenaram o lançamento do míssil e o segundo teste nuclear realizados na Coreia do Norte.
Mesmo cientes do posicionamento da ONU, os norte-coreanos ignoraram suas determinações e lançaram nessa terça-feira, dia 26 de maio, mais dois mísseis de curto alcance.
Segundo a imprensa norte-coreana, o que o ditador Kim Jong-il pretende é aumentar a defesa contra os EUA, acusado de ser o causador de tensões na Ásia.
Será que a Coreia do Norte continuará com suas provocações?
Após analisar tudo isso, vamos esperar até julho, mês estipulado para o novo encontro entre os governantes estadunidense e russo para novas determinações do START.
Até mais ver…
