Mistérios egípcios finalmente desvendados

Cientistas germânicos acreditam ter descoberto a verdadeira causa da morte do faraó Tutankamon

 Efígie de ouro representando o faraó Tutankamon. Foto: Corel Stock Photo.

Efígie de ouro representando o faraó Tutankamon. Foto: Corel Stock Photo.

No início de janeiro de 2005, o “corpo” de um dos faraós mais conhecidos do Egito Antigo, Tutankamon, saiu de sua morada eterna, no Vale dos Reis, para ir ao “médico”. Pela primeira vez, seus restos mortais passaram por uma tomografia computadorizada. Os exames detalhados tinham o objetivo principal de responder à pergunta que sempre instigou egiptólogos: qual a causa da morte prematura desse faraó?

A tomografia gerou aproximadamente 1700 imagens que, a partir de então, foram examinadas por médicos e pesquisadores. Também foram investigadas outras 16 múmias da dinastia à qual pertenceu Tut. O responsável pela tarefa foi Zahi Hawass, arqueólogo do Museu do Cairo. Em janeiro de 2010, depois de quase cinco anos de investigação, Zawas apresentaria a seguinte conclusão: o faraó morreu de malária aliada a uma infecção óssea. Como ele e sua equipe chegaram a essa conclusão? Graças a uma necrose do pé esquerdo, observada na múmia, bem como um exame genético que detectou o Plasmodium falciparum, protozoário causador da malária, doença comum africana.

O mistério parecia ter sido revelado, porém, em junho de 2010, essa versão foi contestada por estudiosos alemães que acreditam que Tut morreu de anemia falciforme.

Que doença é essa?

A anemia falciforme é uma doença hereditária causada por uma mutação no gene da hemoglobina A, transformando-se em hemoglobina S. As células passam, então, a ter forma de foice e, devido a isso, problemas para levar oxigênio, causando diversas lesões no sistema nervoso central, pulmões, fígado e baço, porém, principalmente, problemas no tecido ósseo - como os observados na múmia de Tut. Os pacientes podem apresentar cegueira, convulsões, paralisias e até a perda de fala. Normalmente morrem jovens. Um dado curioso é que seus portadores se tornam imunes à malária. Todos esses fatores fazem a hipótese dos cientistas alemães parecer muito forte.

Outras versões e teorias da conspiração

Em pintura na tumba de Tutankamon o sacerdote Aye, vestido com pele de leopardo, realiza ritual pós-morte sobre o corpo do faraó. Fonte: Corel Stock Photos.

Em pintura na tumba de Tutankamon o sacerdote Aye, vestido com pele de leopardo, realiza ritual pós-morte sobre o corpo do faraó. Fonte: Corel Stock Photos.

Antes dos exames mais detalhados na múmia, existiam diversas versões para a morte do faraó: enquanto uns acreditavam que ele teria sido vitimado por uma doença, outros, a partir de um raio-X da década de 60, supunham que foi assassinado com uma pancada na cabeça - a radiografia mostrava fragmentos de ossos quebrados no crânio. O maior entusiasta dessa teoria foi Bob Brier, que chegou inclusive a escrever uma obra chamada O assassinato de Tutancamon na qual expunha em detalhes a teoria da conspiração e os possíveis assassinos: o sacerdote Aye, uma espécie de tutor do faraó, e Horemheb, seu comandante dos exércitos.  

E Tut?

Máscara funerária de ouro de Tutankamon, um dos tesouros do Museu Egípcio do Cairo. Fonte: Corel Stock Photos.

Máscara funerária de ouro de Tutankamon, um dos tesouros do Museu Egípcio do Cairo. Fonte: Corel Stock Photos.

Tutankamon (c. 1332-1323 a.C.), um faraó pouco conhecido da XVIII dinastia, tornou-se famoso em 1922, quando Howard Carter, arqueólogo britânico, patrocinado por Lord Carnavon, aristocrata e colecionador, achou sua tumba quase intacta no Vale dos Reis. Essa descoberta foi uma das principais revelações da arqueologia do século XX, pois o túmulo trazia riquezas sem igual e diversos artefatos que possibilitaram compreender mais sobre a história egípcia e os rituais funerários praticados pela realeza.

Trono de ouro do faraó Tutankamon (detalhe), uma das riquezas encontradas em sua tumba. No desenho junto a Tut está Ankhesenamon, sua irmã e esposa. Fonte: Corel Stock Photos.

Trono de ouro do faraó Tutankamon (detalhe), uma das riquezas encontradas em sua tumba. No desenho junto a Tut está Ankhesenamon, sua irmã e esposa. Fonte: Corel Stock Photos.

Tutankamon assumiu o governo com 9 anos de idade, depois da morte de Aquenaton, seu pai e faraó, que estabeleceu uma forma revolucionária de monoteísmo, instituindo o culto a Aton, o disco solar, e abolindo a adoração a outros deuses. Tut herdou um Egito desestabilizado, com problemas internos e externos. Aos poucos, restabeleceu o culto aos antigos deuses, abandonando a devoção a Aton e fortalecendo os sacerdotes de Amon - principal deus egípcio antes da revolução. O reino começava a “entrar nos trilhos” quando Tutankamon morreu repentinamente, o que levou pesquisadores a acreditar na hipótese de assassinato.  

Com a nova teoria alemã, o enigma tem grandes chances de ter sido desvendado. As autoridades egípcias terão de permitir que se façam novos exames de DNA, para comprovar a existência da anemia falciforme. Assim, o faraó finalmente poderá descansar em paz. 

Por Priscila Pugsley Grahl