As grandes obras do Dragão Chinês

O grande crescimento econômico apresentado pela China nas últimas décadas vem seguido das grandiosas obras promovidas pelo Partido Comunista. Com uma espécie de “capitalismo de estado”, o governo chinês apostou na construção de uma pesada infraestrutura para dinamizar o crescimento econômico do país. No setor energético, o destaque foi para a construção da usina hidrelétrica de Três Gargantas, localizada no maior rio chinês, o Yang-tsé. A obra, iniciada em 1993 e completada em 20 de maio de 2006, com um custo estimado de US$22,5 bilhões, é a maior já realizada no setor. Sua capacidade de geração de energia é superior à da usina hidrelétrica de Itaipu, localizada no rio Iguaçu.

Usina hidrelétrica de Três Gargantas. Imagem: The Pocket. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Usina hidrelétrica de Três Gargantas. Imagem: The Pocket. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Em comemoração aos 90 anos de existência do Partido Comunista Chinês, o governo inaugurou uma série de obras, mostrando ao mundo o poder econômico e administrativo do país. No dia 26 de junho de 2011, os chineses inauguraram o trem de alta velocidade — que pode atingir cerca de 350 km/h — entre as duas cidades mais importantes do país, Pequim e Xangai. Com pouco mais de 1000 km, a linha custou cerca de US$33 bilhões, o maior investimento em uma obra durante o governo comunista. O anúncio do Ministério dos Transportes chinês é de que, na próxima década, 16 mil quilômetros de ferrovias serão construídos para circulação desse tipo de trem.
Quatro dias depois da inauguração da linha Pequim-Xangai — 30 de junho —, a China apresentou ao mundo outra grandiosa obra concluída: a ponte Qingdao Haiwan, a maior do mundo sobre o mar, com uma  extensão de 42,5 km e um custo de  apenas US$2,3 bilhões realizada em apenas quatro anos.

Destaque para a localização da ponte Qingdao Haiwan, a maior do mundo sobre o mar. Adaptado de Google - Dados Cartográficos 2011 Mapabc.

Destaque para a localização da ponte Qingdao Haiwan, a maior do mundo sobre o mar. Adaptado de Google - Dados Cartográficos 2011 Mapabc.

A obra, que consumiu 450 mil toneladas de aço, foi projetada para suportar terremotos de até 8 pontos na escala Richter, tufões e o impacto de um navio de 300 mil toneladas. No mesmo dia, para fechar as comemorações, o país inaugurou o mais longo gasoduto do mundo, que transportará gás natural do Turcomenistão, na Ásia Central, até a China. Os 8.700 quilômetros de gasodutos receberam investimentos de US$ 21,9 bilhões.
Os maciços investimentos em obras promovidos pela China não servem somente para mostrar ao mundo o poder do Dragão Chinês ou a ambição do Partido Comunista,  mas também para comprovar e consolidar as expectativas futuras de que a China despontará como a maior potência mundial.

Por Dorival dos Santos

Ban Ki-moon é reeleito secretário-geral da ONU

A Assembleia Geral da ONU ratificou, no dia 21 de junho de 2011, a votação que garante ao sul-coreano Ban Ki-moon um segundo mandato de cinco anos à frente da secretaria-geral da instituição. A reeleição teve a unanimidade e a aclamação dos países-membros e o apoio substancial do Conselho de Segurança, que recomendou sua permanência no cargo. Seu primeiro mandato teve início em janeiro de 2007, com previsão de término para o fim de 2011. A decisão unânime prolongou sua gestão até 2016.

Secretário Geral da ONU Ban Ki-moon. Crédito: U.S. Department of transportation

Secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. Crédito: U.S. Department of transportation

O secretário

Nascido em 13 de junho de 1944, na cidade sul-coreana de Cheongju, Ban Ki-moon formou-se diplomata na Universidade Nacional de Seul em 1970. Deu sequência a seus estudos na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ban foi Ministro do Comércio e Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul. Iniciou seus trabalhos na ONU em 1975, como Ministro das Relações Exteriores de seu país.  Em 2007, tornou-se o oitavo secretário-geral das Nações Unidas, sucedendo o ganês Kofi Annan.
Em seu primeiro mandato, Ban foi fortemente criticado pela sua submissão frente às grandes potências globais, sobretudo aos membros do Conselho de Segurança, e também por sua política diplomática chamada por muitos de “diplomacia silenciosa”, por não ter se posicionado frente a atos de violação dos direitos humanos em países com forte poder de decisão na ONU, como a China e a Rússia.

Barack Obama e o Secretário Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon no Salão Oval — 28 de fevereiro de 2011. Crédito: Foto Oficial da Casa Branca, por Pete Souza.

Barack Obama e o secretário-geral das Nações Unidas Ban Ki-moon no Salão Oval — 28 de fevereiro de 2011. Crédito: Foto Oficial da Casa Branca, por Pete Souza.

A gestão de Ban Ki-moon foi marcada por algumas prioridades e pontos positivos, como as questões ambientais globais e as crises humanitárias em alguns países, como o Haiti — após o terremoto que assolou o país no início de 2010 — e Paquistão. Outro ponto positivo em seu primeiro mandato foi seu firme posicionamento a favor dos protestos pró-democráticos que tomaram o mundo árabe e que deram origem à queda de governos autoritários, como o da Tunísia e o do Egito.

A ONU

A Organização das Nações Unidas foi formada em 1945 — em substituição à Liga das Nações, de 1920 — a partir da Carta das Nações Unidas, atualmente reconhecida e assinada por 192 países.  Foi criada com o objetivo de assegurar a paz e a segurança mundiais e defender os direitos humanos e, principalmente, evitar um terceiro conflito mundial. Há na organização seis órgãos principais: a Assembleia Geral, o Conselho de Segurança, o Conselho Econômico e Social, o Conselho de Tutela, a Corte Internacional de Justiça e o Secretariado. Entre eles,  destacam-se a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança.
- Assembleia Geral: é um órgão deliberativo representado por todos os países-membros — cada um com direito a um voto — que tem como objetivo coordenar e supervisionar a atuação das agências.
- Conselho de Segurança: formado por cinco membros permanentes com poder de veto — EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia e China — e mais dez não permanentes eleitos a cada dois anos. Sua função é manter a paz mundial, regular a posse de armamentos e realizar ações militares como intervenções em conflitos entre países. No que se refere a temas estratégicos, como ações militares, embargos econômicos e outros, o Conselho de Segurança é o órgão máximo da ONU. Nesse sentido, as grandes potências mundiais controlam  as decisões relativas à paz mundial.

Sala de reuniões do Conselho de Segurança. Foto: Jef Seghers. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Sala de reuniões do Conselho de Segurança. Foto: Jef Seghers. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Agências especializadas

As Nações Unidas compreendem 26 programas e agências — que possuem certa autonomia, como orçamentos, regras e metas próprias — com áreas específicas de atuação, prestando assistência técnica e humanitária nas mais diversas áreas. Entre elas, podemos citar:
- FMI - Fundo Monetário Internacional;
- OMS - Organização Mundial da Saúde;
- UNESCO - Organização para a Educação, a Ciência e a Cultura;
- FAO - Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura;
- UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância;
- UIT - União Internacional de Telecomunicações;
- OACI - Organização da Aviação Civil Internacional;
- IFAD - Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola;
- OIT - Organização Internacional do Trabalho;
- OMI - Organização Marítima Internacional;
- AIEA - Agência Internacional de Energia Atômica;
- Banco Mundial.

Por Dorival dos Santos

Nuvem do vulcão chileno Puyehue chega a Austrália

Após meio século, no dia 4 de junho de 2011 o complexo vulcânico chileno Puyehue-Cordón Caulle, localizado na Cordilheira do Andes, voltou a entrar em erupção, expelindo magma, rochas, cinzas e gases.

Imagem de satélite capturada no primeiro dia de erupção do complexo vulcânico chileno Puyehue-Cordón Caulle.  Imagem: Jeff Schmaltz. Créditos: Nasa-GSFC.

Imagem de satélite capturada no primeiro dia de erupção do complexo vulcânico chileno Puyehue-Cordón Caulle. Imagem: Jeff Schmaltz. Créditos: Nasa-GSFC.

A coluna de fumaça e cinzas do vulcão Puyehue ultrapassou dez quilômetros de altura e cinco de espessura. Uma chuva de cinzas vulcânicas caiu sobre diversas localidades da região, obrigando milhares de moradores a deixarem suas casas e as autoridades regionais a decretarem alerta vermelho.

Imagem capturada dois dias depois das emissões mostra o deslocamento da nuvem de fumaça, que alcança o Oceano Atlântico nas proximidades da divisa entre Argentina e Uruguai, acima da Foz do Rio da Prata. Cortesia: Nasa/Noaa.

Imagem capturada dois dias depois das emissões mostra o deslocamento da nuvem de fumaça, que alcança o Oceano Atlântico nas proximidades da divisa entre Argentina e Uruguai, acima da Foz do Rio da Prata. Cortesia: Nasa/Noaa.

A nuvem, que se deslocou em alta velocidade, inicialmente para Nordeste, atingiu em poucas horas dezenas de cidades da Patagônia Argentina, incluindo a turística  Bariloche, localizada a cerca de 100 quilômetros do vulcão, cobrindo-a com uma grossa camada de cinzas. Em alguns dias, a nuvem chegou ao Sul do Brasil, seguindo para o Oceano Atlântico.

A imagem acima, capturada seis dias após o início da erupção, mostra a dimensão tomada pela coluna de fumaça e cinzas. A nuvem de fumaça é expelida pela base do vulcão, em vez de sair da cratera. Cortesia: Nasa/GSFC/METI/Ersdac/Jaros.

A imagem acima, capturada seis dias após o início da erupção, mostra a dimensão tomada pela coluna de fumaça e cinzas. A nuvem de fumaça é expelida pela base do vulcão, em vez de sair da cratera. Cortesia: Nasa/GSFC/METI/Ersdac/Jaros.

Milhares de pessoas foram afetadas pelo cancelamento de voos e pelo fechamento de aeroportos na porção meridional da América Latina, devido ao fato de as cinzas comprometerem a visibilidade e, principalmente, o funcionamento mecânico das aeronaves.

Imagem capturada dez dias após a erupção. A nuvem de fuligem pode ser observada a mais de 17 mil quilômetros da sua origem, a cerca de 50 mil pés (15 Km) da superfície da Terra, sobre o Sul da Austrália e o Norte da Tasmânia. Cortesia: NASA-GSFC.

Imagem capturada dez dias após a erupção. A nuvem de fuligem pode ser observada a mais de 17 mil quilômetros da sua origem, a cerca de 50 mil pés (15 Km) da superfície da Terra, sobre o Sul da Austrália e o Norte da Tasmânia. Cortesia: NASA-GSFC.

Os efeitos da gigantesca nuvem de fumo vulcânico não ficaram restritos à América Latina. No dia 14 de julho (dez dias após a erupção),  a fuligem obrigou o cancelamento de voos que partiriam da Austrália para a Nova Zelândia e para a Tasmânia.

Vulcanólogos que estudam a região afirmaram que durante as erupções ocorridas em 1921, 1922 e 1960 as nuvens de gases e cinzas atuaram por aproximadamente dois meses, o que leva a crer que os moradores da região demorarão alguns meses para retomar suas atividades normais.

O Chile, localizado no Círculo de Fogo do Pacífico, tem mais de 2 mil vulcões, dos quais cerca de 125 são considerados geologicamente ativos. Nos últimos 450 anos, 60 deles entraram em erupção.

Por Dorival dos Santos

A União Europeia e sua economia com o surto de E. coli

   A União Europeia passa por um momento muito sensível. Não bastassem os reveses econômicos enfrentados por diversos membros, como a Irlanda, a Grécia e, mais recentemente, Portugal - que atravessam uma crise financeira sem precedentes em suas histórias -, surge agora o problema da bactéria E. coli, que interfere significativamente na economia dos países-membros.

   Vale a pena, antes de tudo, caracterizar um pouco esse bloco. São 27 países-membros (Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, República Checa, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia e Reino Unido), que totalizam uma população de mais de 500 milhões de habitantes. Dos seus membros, 17 aderiram ao euro (Bélgica, Alemanha, Irlanda, Espanha, França, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Áustria, Portugal, Finlândia, Grécia, Eslovênia, Chipre, Malta, Eslováquia e Estônia). Dinamarca e o Reino Unido mantêm suas moedas. Os outros países ainda não preencheram as condições estabelecidas para adotar a moeda única.

   Há décadas, um grande plano, conhecido como PAC (Política Agrícola Comum), deu fôlego à atividade agrícola europeia. Isso reduziu o êxodo rural - o que foi bom, pois diversos centros urbanos do Continente encontram-se saturados - e garantiu uma sensível melhora na situação de vida da população rural europeia. Vários países, como a Itália e a Suíça, apresentam grande número de proprietários rurais. A criação de regras que acabaram definindo as Indicações Geográficas melhorou muito a qualidade de vida da população rural. Essas regulações determinam regiões geográficas precisas, responsáveis por cultivos específicos, com técnicas fiscalizadas e monitoradas constantemente. Nesse sentido, alguns dos produtos protegidos em sua nomenclatura e, consequentemente, beneficiados economicamente, são o camembert, o parmeggiano, o presunto de Parma, entre outros. Nenhum outro produtor do mundo pode, em teoria, utilizar esses nomes para suas produções.

Campos de cultivo no Tirol italiano. Por F Delventhal. Licenciado por CC Atribuição 2.0 Genérica.

Campos de cultivo no Tirol italiano. Por F Delventhal. Licenciado por CC Atribuição 2.0 Genérica.

   Contudo, a vida em bloco não garante total segurança. Os membros possuem um déficit somado nas contas correntes externas de mais de 30 bilhões de euros.

   A infecção bacteriana em questão não é apenas um problema de saúde. Os impactos causados pelas restrições às importações e exportações afetam profundamente os países-membros europeus. A Rússia afirmou, recentemente, a suspensão das importações de vegetais oriundos desses países. A reação da Alemanha foi imediata, indignando-se contra a intransigência dessa decisão unilateral. De prontidão, a UE assegurou o equivalente a mais de meio bilhão de dólares aos produtores rurais para compensar  as perdas, o que irá, com certeza, comprometer o desempenho da economia do bloco em 2011, que registrou escassos 0,8% de crescimento nesse primeiro trimestre. Fica claro, portanto, que não estamos lidando com uma questão apenas de saúde pública, mas, também, de ordem socioeconômica.

 

Por Leandro José Ribeiro Guimarães

 

 

Satélites: a tecnologia a serviço da humanidade

O primeiro satélite artificial, o Sputnik, foi colocado em órbita pelos soviéticos no dia 4 de outubro de 1957, dando início à chamada Corrida Espacial - disputa travada entre EUA e URSS durante a Guerra Fria com o objetivo de desenvolver tecnologias espaciais. Da década de 1950 até os dias atuais, as tecnologias no desenvolvimento de satélites evoluíram muito. É difícil imaginarmos o atual mundo globalizado sem os serviços prestados por essas magníficas ferramentas.

Os satélites podem ser classificados segundo as suas funções:

- Satélites de comunicação - projetados para fins de comunicação, possuem órbita do tipo geoestacionária, ou seja, ajustada à rotação da Terra, posicionando-se sobre um ponto fixo. Esses tipos de satélites atuam como um repetidor de sinais gerados na superfície do Planeta que, depois de capitados e processados, são transmitidos de volta à Terra. São utilizados na transmissão de ondas de TV, rádio e Internet, além de atuar na comunicação entre aeronaves e embarcações.

Satélite de telecomunicação desenvolvido pela Nasa. Créditos: Nasa.

Satélite de telecomunicação desenvolvido pela Nasa. Créditos: Nasa.

- Satélites astronômicos - projetados para estudos astronômicos. Esses tipos de satélites abrigam telescópios utilizados para a observação e monitoramento do espaço. Nas últimas décadas, os telescópios orbitais contribuíram para o avanço da astronomia, possibilitando a observação e o monitoramento de astros e eventos como as supernovas, além do estudo da composição química do espaço.

Imagem da nebulosa Carina captada pelo telescópio Hubble. Crédito da imagem: Nasa, equipe do Hubble e Nolan R. (STScI) Walborn, Rodolfo H. Barba (Observatório de La Plata, Argentina), e Caulet Adeline (França).

Imagem da nebulosa Carina captada pelo telescópio Hubble. Crédito da imagem: Nasa, equipe do Hubble e Nolan R. (STScI) Walborn, Rodolfo H. Barba (Observatório de La Plata, Argentina), e Caulet Adeline (França).

- Satélites de reconhecimento - projetados para observação da superfície da Terra. São também chamados de satélites espiões, pois são utilizados para fins militares e de espionagem. Foram desenvolvidos pelos estadunidenses e pelos soviéticos no período da Guerra Fria para monitorar locais estratégicos da superfície da Terra. Hoje, são muito utilizados por diversos países, porém a maioria dos dados coletados pelos equipamentos que o compõem são sigilosos, ou seja, não são divulgados para uso civil.

- Satélites de observação da Terra - projetados para o monitoramento da superfície do Planeta com fins civis. São muito utilizados para o mapeamento geográfico de aspetos naturais - clima, vegetação, relevo e hidrografia - e humanos - planejamento urbano, agrícola e ambiental. As imagens de satélite revolucionaram a ciência geográfica nas últimas décadas, devido à facilidade de coleta e à sua precisão, além de contribuírem em grande escala para o desenvolvimento do ramo da Geografia denominado sensoriamento remoto, que consiste no estudo de uma área ou de um fenômeno geográfico sem o contado direto com o espaço ou a ocorrência.

Erupção vulcânica nas Ilhas Curilas, nordeste do Japão. A imagem foi captada pela Estação Espacial Internacional, que também é uma espécie de satélite artificial. Créditos: Nasa JSC.

Erupção vulcânica nas Ilhas Curilas, nordeste do Japão. A imagem foi captada pela Estação Espacial Internacional, que também é uma espécie de satélite artificial. Créditos: Nasa JSC.

- Satélites metereológicos - alguns satélites de observação da Terra são desenvolvidos especialmente para o monitoramento dos fenômenos climáticos, como para a observação de deslocamento de massas de ar, modelos de temperatura -(da atmosfera, de continentes e da superfície do mar), de pressão atmosférica e de umidade relativa, além da observação e do monitoramento de eventos climáticos extremos, como furacões, ciclones, nevascas e outros. São utilizados também para monitoramento de alguns fatores humanos que interferem no clima, como as queimadas, a poluição atmosférica e o desmatamento.

Furacão Earl pairando a nordeste de Porto Rico, em 30 de agosto de 2010. Imagem obtida da Estação Espacial Internacional – ISS - uma espécie de satélite habitável utilizado para monitorar a Terra, e promover experimentos em microgravidade. Na imagem, destaca-se a célula fotovoltaica da estação espacial, utilizada para a obtenção de energia solar. Crédito da imagem: Nasa.

Furacão Earl pairando a nordeste de Porto Rico, em 30 de agosto de 2010. Imagem obtida da Estação Espacial Internacional – ISS - uma espécie de satélite habitável utilizado para monitorar a Terra, e promover experimentos em microgravidade. Na imagem, destaca-se a célula fotovoltaica da estação espacial, utilizada para a obtenção de energia solar. Crédito da imagem: Nasa.

- Satélites antissatélites - São satélites utilizados para fins militares, com o principal objetivo de destruir alvos que estejam na órbita sa Terra, como satélites inimigos, por exemplo. Essa tecnologia foi desenvolvida durante a Guerra Fria pelos EUA e pela URSS, sendo utilizada até os dias atuais pelas ex-potências e pela China.

- Satélites do Sistema Global de Navegação (GPS) - São satélites que - a partir de sinais de rádio e um sistema de triangulação - possibilitam a localização geográfica na superfície da Terra ou no ar. A evolução desse sistema permite uma maior precisão na localização geográfica.

Embora as tecnologias ligadas aos satélites sejam desenvolvidas predominantemente para uso militar, os usos civis dessas ferramentas desempenham papel indispensável em nossas vidas. A comunicação é um exemplo claro dessa importância. Antes dos satélites, as informações circulavam de maneira lenta pelo globo. Assistir a fatos que ocorrem do outro lado do mundo em tempo real não seria possível sem os satélites.
O uso dessa ferramenta vem sendo ampliado, dinamizando áreas como as ciências e a economia. Recentemente, historiadores e arqueólogos utilizaram, no Egito, imagens de satélite para facilitar o reconhecimento de sítios arqueológicos. O resultado foi a identificação de 17 pirâmides perdidas, além de mais de mil tumbas e 3 mil assentamentos antigos enterrados. Métodos semelhantes já vêm sendo empregados há décadas na prospecção de reservas de minerais como o minério de ferro e o petróleo.
Pode-se perceber, portanto, que na guerra, nas diversas áreas do campo científico e no cotidiano das populações, a tecnologia dos satélites tem se mostrado uma ferramenta indispensável no atual mundo globalizado.

Por Dorival dos Santos

 

A geografia dos alimentos

   Subiu o preço do pão! Quanto? Depende de onde você mora. De acordo com o ambientalista Lester R. Brown, para uma família estadunidense, o peso do aumento do preço do trigo é muito menor do que para uma família indiana. Sabia que o impacto da alimentação no bolso de uma família dos Estados Unidos é de cerca de 10% da renda mensal? Para uma típica família da Índia, esse valor pode chegar a até 70%.

   Parece irônico: em uma economia cada vez mais globalizada, os impactos deveriam ser, em princípio, menores, uma vez que ocorre a diluição dos mercados e produtos. Contudo, a conexão entre produtores é tamanha que os aumentos dos preços dos alimentos ocorrem em escala global.

   E por que os preços dos alimentos estariam subindo? Por diversos motivos, entre eles o aumento populacional, o esgotamento de alguns solos e o desequilíbrio climático (nesse caso, creio que não interessa saber quem é culpado pelo aquecimento global; interessa, sim, buscar soluções emergenciais para os problemas). Alguns estudos afirmam que uma elevação em 1°C na temperatura leva a 10% de queda na produtividade. E existem provas nesse sentido: a onda de calor na Rússia no ano passado fez a produtividade agrícola do país cair cerca de 40%. As culturas de irrigação, muitas vezes sem nenhum estudo geológico e hidrológico prévio, têm provocado o esgotamento de diversos lençóis freáticos e aquíferos. A Síria e o Iraque passam por essa situação.

   Talvez o leitor esteja pensando: “Mas o aumento da população sempre foi um discurso vazio! A tecnologia suprirá o acréscimo no número de habitantes do Planeta!” Será? A cada ano, são cerca de 80 milhões de pessoas a mais no mundo para alimentar. Em uma simples conta de três refeições ao dia: a cada ano, precisamos de 240 milhões de refeições a mais por dia! E os EUA, maior economia do mundo e quinta maior nação em extensão geográfica, têm reduzido cada vez mais suas áreas de plantio para alimentação. Elas estão sendo substituídas por grãos como o milho, que serão convertidos em etanol para abastecer sua imensa frota.

Resíduo coluvionar em solo na China. O transporte de material por efeito da gravidade, em especial por encontrar-se em declives ou nas suas encostas, pode causar a perda de importantes nutrientes e acelerar o processo de degradação dos solos, caso nenhuma ação seja realizada. Foto: Soil Science. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Resíduo coluvionar em solo na China. O transporte de material por efeito da gravidade, em especial por encontrar-se em declives ou nas suas encostas, pode causar a perda de importantes nutrientes e acelerar o processo de degradação dos solos, caso nenhuma ação seja realizada. Foto: Soil Science. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

   Recentes imagens de satélite mostram uma extensa região de areais do oeste da China ao oeste da Mongólia. O esgotamento dos solos nessa região atingiu níveis críticos.

   Algumas soluções encontradas para essas questões não são animadoras. Coreia do Sul, Arábia Saudita e China, impossibilitadas de expandir adequadamente suas áreas de cultivo, têm adquirido terras no continente africano a preços irrisórios. Não para produzir alimentos para a população local, mas sim para retorná-los aos seus países. Não é somente a África o foco. A China tentou, há cerca de quatro anos, comprar áreas nas Filipinas que, somadas, eram equivalentes a um milhão de campos de futebol! A pressão popular local impediu que isso ocorresse. Uma empresa sul-coreana tentou fazer o mesmo em Madagáscar.

Pequena vila em Madagáscar. A repercussão nacional da compra de mais de um milhão de hectares de terras por uma companhia sul-coreana não apenas fez o acordo ser cancelado, como também derrubou o governo do país. Foto: Aleix Cabarrocas Garcia. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Pequena vila em Madagáscar. A repercussão nacional da compra de mais de um milhão de hectares de terras por uma companhia sul-coreana não apenas fez o acordo ser cancelado, como também derrubou o governo do país. Foto: Aleix Cabarrocas Garcia. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

   Em linhas gerais, qual seria o panorama futuro? Péssimo para as nações em desenvolvimento, uma vez que, com terras muito exploradas por grandes grupos agroindustriais e com elevados custos dos insumos, lhes resta como única opção a exportação.

   A solução dessa equação envolveria, primeiramente, resolver os problemas ambientais. Afinal de contas, não adianta propormos financiamento e maquinário se os solos estão empobrecidos e não há água suficiente para o cultivo. Uma fiscalização internacional maior no que diz respeito à exploração dos pequenos agricultores, desde a especulação do preço das terras até a questão dos inúmeros intermediários que separam o agricultor do prato que se encontra sobre nossa mesa, é um segundo passo nesse sentido. Por fim, precisamos urgentemente reduzir a especulação nos mercados internacionais no preço dessas commodities (como trigo e milho, por exemplo) e adotar preços justos, acima de tudo sabendo também que a importância dos alimentos para o futuro do ser humano não tem preço.

Por Leandro José Ribeiro Guimarães

O gelo da Antártica

   Estamos nos aproximando do inverno! Para muitos, uma alegria, como para os turistas que procuram regiões de serra, na tentativa de ver neve; para tantos outros, a tristeza de passar frio no banho e a dificuldade de acordar cedo para ir à escola e ao trabalho. Há, também, a parcela mais carente da sociedade, como os moradores de rua, que passa por enorme dificuldade para manter-se aquecida nesse período. Para aqueles que moram em regiões específicas do Brasil, como parte do litoral nordestino, regiões da Amazônia, entre outras, tanto faz: a diferença entre as estações não é brutal. Nós, brasileiros, somos agraciados por nossa posição latitudinal, por uma boa corrente marítima quente e pelo próprio fenômeno da maritimidade, o que nos garante um inverno bem mais agradável do que o atravessado pelos estadunidenses, por exemplo.

   Porém, ao sul do continente americano, a Antártica tem um inverno mais do que rigoroso! Aliás, já parou para pensar como as propriedades químicas da água são ótimas nesse sentido? Ao congelar, os blocos de gelo flutuam, ao contrário de alguns compostos, que reduzem de volume e afundam em seu meio líquido ao se solidificarem.

   Imagine se, ao congelar, o gelo formado em um lago, por exemplo, afundasse. Pense nas diversas formas de vida tendo que subir cada vez mais à superfície… Seria uma grande confusão migratória! Sob essa perspectiva, a natureza realmente é fascinante e age de um jeito magnífico.

Observe a diferença entre a camada de gelo oceânico na Antártica no final do inverno (setembro de 2009) e no final do verão (março de 2010). Cortesia NASA.

Observe a diferença entre a camada de gelo oceânico na Antártica no final do inverno (setembro de 2009) e no final do verão (março de 2010). Cortesia NASA.

   O gelo da Antártica é extremamente importante na regulação do clima mundial. Pense que as camadas de gelo formadas no inverno funcionam como um escudo, que impede que o calor das águas oceânicas escape mais rapidamente. No inverno, até aproximadamente 19 milhões de quilômetros quadrados das águas do mar tornam-se gelo. Aliás, não confunda esse tipo de gelo com o dos glaciares, que se desprendem do continente e formam os icebergs.

   A Antártica é um verdadeiro laboratório de estudos. Bases científicas instaladas em alguns países realizam pesquisas importantes sobre o recuo de gelo da calota polar, analisam o comportamento de espécies marinhas, avaliam a situação da camada de ozônio, buscam compreender os processos geológicos e climáticos do Planeta por meio de coletas de sedimentos nas camadas mais profundas de gelo… Enfim, realizam um amplo levantamento científico que objetiva colaborar para a previsão e prevenção de impactos ambientais futuros não apenas no Hemisfério Sul, mas em todo o Planeta.

Por Leandro José Ribeiro Guimarães

 

As relações entre Taleban e Al Qaeda

O Taleban é um grupo fundamentalista islâmico que atua no Afeganistão e no Paquistão. Surgiu na década de 1980, financiado pelos EUA, que tinham como objetivo formar grupos afegãos de resistência contra a ocupação soviética no Afeganistão durante a Guerra Fria. A CIA (Central Intelligence Agency) e o Serviço Secreto do Paquistão foram responsáveis por treinar e armar os grupos que agiriam em defesa do país. Após o término da Guerra Fria, esses grupos travaram uma guerra civil pelo controle do Afeganistão, sobressaindo-se o Taleban, que passou a controlar o governo de 1996 a 2001, reconhecido diplomaticamente apenas pela Arábia Saudita, pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Paquistão.

O regime Taleban foi marcado pelo radicalismo religioso, na tentativa de criação de um Estado teocrático baseado nos preceitos do Alcorão, livro sagrado dos mulçumanos. Muitos de seus atos e leis foram condenados pela comunidade internacional, por ferirem, sobretudo, os direitos humanos (por exemplo, pela restrição dos direitos femininos, pela proibição às artes, pela restrição à liberdade de imprensa). O controle social era tamanho que envolvia, inclusive, o impedimento da posse de câmeras fotográficas sem licença e até mesmo o ato de barbear-se.

Crianças empinando pipa em Cabul, capital do Afeganistão. O simples ato de empinar pipa, bastante comum entre as crianças afegãs, era proibido pelo regime Taleban. Foto: Lauras Eye. Atribuição-Compartilhamento pela mesma licença 2.0 Genérica.

Crianças empinando pipa em Cabul, capital do Afeganistão. O simples ato de empinar pipa, bastante comum entre as crianças afegãs, era proibido pelo regime Taleban. Foto: Lauras Eye. Atribuição-Compartilhamento pela mesma licença 2.0 Genérica.

Em 2001, o Taleban foi acusado de dar suporte ao grupo terrorista Al Qaeda ao abrigar seu principal líder, o saudita Osama bin Laden, após o ataque às Torres Gêmeas na cidade de Nova Iorque. Os EUA, que já haviam classificado o Taleban como grupo terrorista e colocado o Afeganistão entre os países do “Eixo do Mal” (denominação criada por Jorge W. Bush para definir as nações que supostamente financiam o terror), decidem invadir o país e capturar o líder. Entra em cena a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que ocupa com facilidade o Afeganistão e destitui oficialmente o regime Taleban, porém não obtêm êxito na captura de Bin Laden. As intervenções dos EUA e aliados no país levaram à instalação do governo liderado por Hamid Karzai, atualmente no poder. A presença da Otan não impediu o desmantelamento do Taleban, que conseguiu ganhar forças e formar grupos insurgentes, que passaram a atuar pontualmente contra alvos estrangeiros e opositores no Afeganistão e no Paquistão.

Forças militares estadunidenses em operação no Afeganistão. Crédito: U.S. Army. Foto: Sgt. Efren Lopez. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Forças militares estadunidenses em operação no Afeganistão. Crédito: U.S. Army. Foto: Sgt. Efren Lopez. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

A corrida contra o terror levou a inteligência dos EUA ao paradeiro de Osama bin Laden, que havia deixado o Afeganistão e passado a residir no Paquistão, mais especificamente na cidade de Abbottabad, ao norte do país, de onde comandava as ações da Al Qaeda.
O assassinato do terrorista mais procurado do mundo, em operação militar estadunidense no dia 1.o de maio de 2011, fez surgir focos de protestos entre os fundamentalistas islâmicos que o consideravam um herói contra os males ocidentais. O Paquistão, por sua vez, passou a ser questionado pela comunidade internacional pela suspeita de ser conivente e por proteger o terrorista, o que foi negado pelas autoridades paquistanesas.

Monumento em Islamabad, capital do Paquistão. Houve um estreitamento nas relações entre EUA e Paquistão após o assassinato de Osama bin Laden. Crédito: Farhan. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Monumento em Islamabad, capital do Paquistão. Houve um estreitamento nas relações entre EUA e Paquistão após o assassinato de Osama bin Laden. Crédito: Farhan. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

A preocupação em relação a retaliações como consequência da morte do terrorista colocaram em alerta o mundo, principalmente os países aliados aos EUA na Guerra Contra o Terror. Muitos grupos fundamentalistas, incluindo o Taleban e a própria Al Qaeda, prometeram vingar a morte do terrorista. Um exemplo nesse sentido foi o ataque suicida praticado contra uma academia paramilitar de forças de segurança no noroeste do Paquistão, no dia 13 de maio de 2011, que deixou ao menos 80 mortos e feriou outras dezenas. O ato foi considerado a primeira grande manifestação de vingança à morte de Bin Laden, assumido pelo Taleban paquistanês, que prometeu realizar mais ataques.

Por Dorival dos Santos

Resultados definitivos do XII Recenseamento geral do Brasil – crescimento da população

Os censos demográficos, realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em intervalos de dez anos, permitem a coleta dos dados que possibilitam o conhecimento das condições de vida da população de todos os municípios brasileiros. Essas informações são de grande importância para a realização de trabalhos científicos e para a elaboração de políticas públicas regionais, o que garante maior eficiência no planejamento e na gestão do território.
No final do mês de abril de 2011, o IBGE divulgou, por meio da Sinopse do censo demográfico 2010, alguns resultados definitivos do XII Recenseamento geral do Brasil. De maneira geral, os dados correspondem a uma evolução demográfica do País, a partir do I Recenseamento geral de 1872, permitindo uma análise populacional por sexo, grupos de idade, média de moradores em domicílios particulares ocupados e número de domicílios recenseados, segundo a espécie e a situação. Segundo o instituto, os demais dados coletados pelo Censo 2010 serão lançados no decorrer de 2011 e do primeiro semestre de 2012.

Os dados já apresentados nos permitem algumas análises acerca do comportamento da população do Brasil. Tomemos como exemplo o crescimento populacional. O gráfico 1 representa a taxa média geométrica de crescimento anual desde o primeiro recenseamento, feito em 1872, até 2010.
imagem1
Podemos concluir que a população brasileira teve seus picos de incremento nas duas primeiras décadas do século XX e entre as décadas de 1950 e 1970. De maneira geral, podemos comparar esses picos aos momentos históricos pelos quais passava o Brasil. No início do século XX, as imigrações europeia e asiática - principalmente ligada à produção de café - contribuíram para o aumento da população, e entre as décadas de 1960 e 1970 houve a consolidação da indústria e a melhoria nas condições médicas e sanitárias, o que favoreceu a diminuição da mortalidade e, consequentemente, o crescimento da população.
Nesse panorama de um Brasil cada vez mais urbano, o gráfico 1 demonstra claramente uma queda no ritmo de acréscimo da população nacional. Em uma visão mais geral, a tabela 2, relativa à população residente no Brasil, mostra que a população cresceu quase 20 vezes desde o primeiro recenseamento.
imagem2
O gráfico 2 permite-nos concluir que o crescimento da população brasileira, na última década, não se deu de maneira uniforme pelo território.
imagem3
Os Estados das regiões Sul, Sudeste e Nordeste apresentaram menor crescimento médio do que os das regiões Norte e Centro-Oeste. Isso se deve, em parte, ao maior dinamismo da economia daquelas três regiões, o que reflete de maneira positiva no planejamento familiar, na qualidade de vida, na inserção da mulher no mercado de trabalho, entre outros aspectos.
Podemos notar que, nos Estados com menor crescimento, há uma tendência de déficit populacional para as próximas décadas, o que poderá ocasionar problemas futuros, como redução da PEA (População Economicamente Ativa) e déficits previdenciários. Já os Estados com elevado incremento da população precisarão desenvolver políticas públicas voltadas, por exemplo, à questão do emprego, ao acesso a recursos básicos e ao déficit habitacional.

Por Dorival dos Santos

Um bloco ao nosso lado

   Nesta semana possivelmente ocorrerá a oficialização de mais um bloco no continente americano: a Área de Integração Profunda (AIP), que congregará Chile, Colômbia, México e Peru. O presidente peruano, Alan García, está sendo fundamental nas articulações.

america-blocos-economicos

   A América possui outros blocos econômicos, de relativa força no contexto global, como é o caso do NAFTA (do qual fazem parte Canadá, Estados Unidos e México), que corresponde a um acordo geral de tarifas de comércio, e o Mercosul, que funciona muito mais como uma união aduaneira. Um dos grandes problemas, na visão das nações do bloco que está se formando, consiste na grande centralização dos poderes e tomada de decisões por parte do Brasil no Mercosul, o que, de certa forma, desestimula a tentativa de adesão dos países da AIP ao bloco de que o País faz parte. Talvez por sermos o foco das discussões, não estejamos conseguindo observar essa questão de forma mais distanciada. Os próprios membros do Mercosul, como a Argentina e o Uruguai, já realizaram protestos públicos referentes a taxações de importação e mecanismos alfandegários em geral.

O Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, capital do Uruguai. O bloco desempenha importante papel na articulação econômica do subcontinente. Autor: Vince Alongi. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

O Parlamento do Mercosul, em Montevidéu, capital do Uruguai. O bloco desempenha importante papel na articulação econômica do subcontinente. Autor: Vince Alongi. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

   Em termos quantitativos, o novo bloco apresentará indicadores econômicos semelhantes aos do Brasil. Sob aspectos práticos, o próprio presidente peruano afirma que será um contraponto ao papel geopolítico desempenhado pelo Brasil que, definitivamente, se tornou uma potência no continente.

   A princípio, o problema não é apenas a relação de competitividade que está aflorando, mas também o futuro da Comunidade Andina, pois 50% de seus membros (Colômbia e Peru) também pertenceriam à AIP. Assim, não apenas a situação de Bolívia e Equador, mas o destino de toda essa Comunidade estaria em jogo.

   O Brasil não está muito confiante no sucesso da AIP, uma vez que as eleições peruanas acontecerão em poucos meses e, na opinião da diplomacia de Brasília, a derrota de Alan García poderia congelar todas as articulações para a efetiva consolidação do bloco.

   Na realidade, o foco das discussões deveria ser uma integração efetiva de todos ou, pelo menos, da maioria dos países. A fragmentação não é boa, em especial entre nações sul-americanas, que compartilham certos valores e não possuem disputas graves a ponto de se encontrarem em conflito armado continuamente, o que, convenhamos, é algo a se valorizar muito na atualidade.

Por Leandro José Ribeiro Guimarães