O problema do lixo nos oceanos

Você já percebeu que a maioria dos produtos que utilizamos em nosso dia a dia apresenta plástico em sua composição? O plástico está presente em embalagens, brinquedos e também em equipamentos eletrônicos (como celulares, televisores, computadores, etc). Porém, todo esse material gera uma grande quantidade de lixo, a qual já ultrapassou a capacidade de ser armazenado em terra. Dessa forma, o plástico tem sido o grande vilão do ambiente marinho, pois representa 70% dos resíduos sólidos encontrados nesse meio. Ele pode chegar ao oceano por meio do lixo jogado nas ruas, que são levados pela chuva e pelos rios, nas praias sujas, por descartes acidentais e por embarcações, plataformas de óleo e gás.

Dejetos encontrados no mar. Por Sandra. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Dejetos encontrados no mar. Por Sandra. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Foi encontrada no Oceano Pacífico uma área que concentra grande quantidade de materiais plásticos provenientes do despejo desses resíduos na zona costeira. Essa área ficou conhecida como Lixão do Pacífico. A área deste lixão equivale aos territórios dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Goiás juntos. Há aproximadamente 100 milhões de toneladas de plástico nessa região, dos quais 27% correspondem a sacolas plásticas. Todo esse lixo fica concentrado nesse local devido às correntes marítimas, que formam um giro de sentido horário no Hemisfério Norte do Oceano Pacífico, fazendo com que o lixo se concentre no interior desse giro.

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Sabe-se pouco sobre os níveis de toxicidade produzidos pelo plástico, no entanto a demora da sua decomposição é bem conhecida. Essa resistência do plástico causa diversos prejuízos ao ambiente e aos seres vivos que, acidentalmente ou não, o ingerem. Quando ingerido, esse material bloqueia a secreção de enzimas, baixa os níveis de hormônio, atrasa a ovulação, gera falhas reprodutivas ou pode, também, obstruir o aparelho digestório desses animais.

Plástico descartado na praia. Por Dan Century. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Plástico descartado na praia. Por Dan Century. Licenciado por Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Todo esse lixo é uma ameaça mortal para animais marinhos, como tartarugas, por exemplo, que acabam engolindo sacolas plásticas por confundi-las com águas-vivas. Golfinhos e baleias também são vítimas de tal lixo. Pesquisas indicam que, em 2008, 134 tipos de redes diferentes foram encontrados no estômago de duas cachalotes que encalharam no litoral da Califórnia, nos Estados Unidos, as quais morreram provavelmente, de oclusão intestinal. Outro registro importante ocorreu no ano de 1999, na cidade de Biscarrosse (sudoeste da França): uma baleia-de-cuvier encalhou com 33 kg de plástico no corpo.

Medidas como a proibição da disposição de plásticos nos oceanos, em qualquer quantidade e localização, estão sendo tomadas. Entretanto, a drenagem continental é um grande obstáculo a ser superado, devido à quantidade exorbitante de lixo plástico produzido no mundo.

Por Alessandra Acosta Santos

A estratégia de entrada do Trypanosoma cruzi na célula

O Trypanosoma cruzi é um parasita causador da doença de Chagas. Essa enfermidade atinge de 15 a 16 milhões de pessoas na América Latina e ainda não tem cura. Pesquisadores vêm procurando entender seu modo de ação e descobriram que esse parasita possui um mecanismo bem interessante de entrada na célula hospedeira.

Segundo pesquisas realizadas por cientistas estadunidenses e brasileiros, o Trypanosoma cruzi utiliza os mecanismos de reparo na membrana celular para conseguir entrar na célula.

 

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Forma amastigota do Trypanosoma cruzi no músculo cardíaco. Crédito: CDC/Dr. L.L. Moore, Jr.

 

A integridade da membrana plasmática é muito importante para a célula. Para isso, existem mecanismos de reparo como a utilização do cálcio (Ca+2). Este tem por função estimular o fluxo de fusão de vesículas internas.

O processo de reparo da membrana também necessita de vesículas intracelulares que fornecem parte da membrana através do cálcio. Para isso, são utilizados os lisossomos.

Os lisossomos são vesículas responsáveis pela digestão celular, isto é, pela degradação das partículas oriundas do meio extracelular.

 

Quando a membrana celular sofre uma lesão, o lisossomo se funde com a membrana, sendo uma parte dela internalizada pela célula, incorporando a lesão. Durante o processo, o lisossomo libera a enzima lisossomal esfingomielinase ácida (ASMase), pois esta estimula a endocitose. O parasita induz todo esse processo e aproveita para entrar no citoplasma. Quanto maior a quantidade de ASMase, mais chances tem o parasita de entrar na célula.

Sem dúvida nenhuma, é uma estratégia interessante que o Trypanosoma cruzi utiliza para infectar as células.

Biometria

A confiabilidade quanto à identificação de um indivíduo é algo que sempre preocupou os órgãos públicos responsáveis pela segurança. Como ter a certeza de quem cometeu um crime? Como conseguir controlar milhões de eleitores até nas cidades mais distantes dos grandes centros urbanos? Como identificar pessoas que têm acesso garantido a locais onde há necessidade de acesso restrito, como agências secretas, bancos e tantos outros?

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 Imagem divulgação/TSE

A partir de uma necessidade urgente, surgiu o processo denominado BIOMETRIA. No Brasil, essa técnica está sendo usada para recadastramento de eleitores em várias cidades. A expectativa é de que em 2018 todos os eleitores estejam enquadrados nesse processo.

Mas o que significa biometria?

A palavra origina-se do grego bios (vida) e metron (medida). Representa, hoje, o método automático e digital de reconhecimento individual baseado em características métricas biológicas (anatômicas e fisiológicas) e comportamentais.

O início da biometria é atribuído ao ano 650 da era cristã, graças ao Código de Yng-Hwui, durante a dinastia de Tang, na China, que determinava que casos de divórcio e transações comerciais fossem confirmados com a impressão digital em placas de barro.

E em 1664, o médico italiano, Marcello Malpighi publicou o artigo Epístola sobre o órgão do tato, apresentando os desenhos das curvas e espirais.

Hoje, a biometria está sendo utilizada, principalmente, para identificação criminal; para o controle de acesso a instituições, empresas, condomínios, etc.; e, no Brasil, também como identidade eleitoral.

 Mas como se realizam os sistemas biométricos?

As medidas são retiradas de várias características do organismo humano. As mais utilizadas são:

Impressões digitais - é considerado um método rápido, confiável e de baixo custo. Baseia-se nos desenhos formados pelas papilas da pele.

Impressão digital - Foto: Matsuyuki. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Impressão digital - Foto: Matsuyuki. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica.

Face – para reconhecimento facial, é usado um software que define certos aspectos denominados como pontos nodais. A face humana possui em torno de oitenta pontos nodais, que medem a distância entre os olhos, o comprimento do nariz, a cavidade orbital, os ossos laterais da face, a linha da mandíbula e o queixo.

Os pontos nodais criam um código numérico denominado assinatura facial. 

Palma da mão - conhecida como geometria da mão, não é muito confiável, pois os anéis podem causar deformações. Nesse caso, a biometria é baseada em características da mão com as medidas de seus pontos característicos, como as cinco pontas dos dedos e os quatro vales entre eles.

Olhos  - são observados suas duas áreas: a íris e a retina.

- A íris é a parte colorida do olho. As suas características, com exceção da cor, não são determinadas geneticamente, ou seja, cada indivíduo apresenta características distintas e não herdadas. Segundo estudos,  as suas características se mantêm durante toda a vida.

Íris. Foto: Frostnova. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica

Íris. Foto: Frostnova. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica

Para biometria, é retirada uma foto da íris sob iluminação infravermelha. Após isso, um programa de computador analisa os detalhes utilizando algoritmos que definem parâmetros de medida. A partir desses dados, essa imagem é única e exclusiva.

Essa técnica pode ter alterações nos casos de cegueira ou em acidentes que interfiram nas características da íris.

- A retina é a membrana sensível à luz, localizada na região interna e posterior do olho. A identificação pela retina é um dos métodos mais seguros, pois analisa a formação de vasos sanguíneos no fundo do olho. O indivíduo olha por um dispositivo que, através de um feixe de luz de baixa intensidade, é capaz de escanear sua retina. A ideia é que os padrões dos vasos sanguíneos são particulares a cada indivíduo e possibilitam, então, identificar as pessoas.

Leitor de biométrico do olho. Usado para segurança de acesso ao Acelerador LHC do CERN, em Genebra, na Suíça. Foto: MM. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica

Leitor de biométrico do olho. Usado para segurança de acesso ao Acelerador LHC do CERN, em Genebra, na Suíça. Foto: MM. Licenciado pelo Creative Commons. Atribuição 2.0 Genérica

Assinatura – um dos métodos mais antigos é o menos confiável, pela facilidade de reprodução, além do que algumas assinaturas mudam com o passar do tempo. A técnica é dificultada também pela velocidade e pela pressão na hora da escrita.

Obs.: a técnica de identificação pelo DNA não é considerada, até o momento, uma tecnologia biométrica de reconhecimento, principalmente por não ser ainda um processo automatizado (demora algumas horas para se criar uma identificação por DNA).

O uso de ferramentas biométricas proporciona confiabilidade aos sistemas de segurança total. Por isso, se a sua cidade estiver utilizando o recadastramento biométrico, divulgue entre seus familiares e amigos, auxiliando o trabalho do TSE e a polícia.

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 Por Anna Thereza Santos Ferreira

Vacinação: um cuidado muito importante para o corpo

As férias de julho estão chegando e muitas pessoas costumam aproveitar para viajar. Malas prontas, passagens compradas, passaporte em ordem e visto concedido. Mas e a saúde? Sua carteira de vacinação está em dia? É bom verificar.

As doenças contagiosas atravessam o mundo, fazendo parte da história. As epidemias, assim chamadas porque afetam grande número de pessoas em um curto período, já fizeram muitas vítimas ao longo do tempo.

Atualmente as doenças infecto-contagiosas ganham força e não é raro observar notícias vinculadas a elas. É neste contexto que a vacina tem importância. Vacinar-se, com certeza, faz a diferença.

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Crédito: Adenilson Nunes/AGECOM Bahia. Licenciada pelo Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica

O nosso corpo apresenta um sistema que ajuda a combater os agentes infecciosos: o sistema imunológico. Esse sistema, entre outros mecanismos de defesa produz glicoproteínas chamadas anticorpos. Para estarmos a salvo da infecção causada por determinada doença, o nosso corpo precisa, em algum tempo, produzir anticorpos para aquele tipo de infecção. As vacinas têm esse papel.

Vacinas são substâncias feitas a partir do agente infeccioso e têm por função estimular o nosso sistema imunológico a produzir anticorpos que reconhecerão esse agente e o combaterão.

Existem três tipos de vacinas:

  • Vacinas não replicantes (não vivas, mortas ou inativadas): são feitas a partir de micro-organismos inativos. Ao tomar esse tipo de vacina o corpo produzirá, lentamente, anticorpos. Essa é uma desvantagem, já que para que o organismo produza uma resposta imunitária adequada, deverá ter contato com pelo menos mais umas três doses da vacina.
  • Vacinas replicantes (vivas - atenuadas): são feitas com micro-organismos enfraquecidos, ou seja, sem o poder de virulência. O micro-organismo, ao ser inoculado em uma pessoa, nesse tipo de vacina, tem a capacidade de multiplicar-se mas não de causar a doença. Sua vantagem é que sua aplicação requer só uma dose e a desvantagem é que o micro-organismo pode reverter o processo e causar a doença.
  • Vacinas recombinantes: são feitas com antígenos de micro-organismos diferentes. Isso confere uma ampla imunização, já que cepas de diferentes variedades estão presentes. Um exemplo é a vacina da gripe, que serve para a imunização contra o H1N1 e também contra a gripe sazonal.

Dependendo da doença a vacina é produzida sob uma dessas formas.

Outro aspecto importante com relação às vacinas é o tempo correto para a obtenção das imunizações. Cada país estipula um calendário próprio. O Brasil temum calendário definido pelo Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde, constituído por um conjunto de vacinas consideradas importantes à saúde pública. Hoje em dia, o calendário de vacinação é amplamente aceito, mas nem sempre foi assim. O Brasil, em 1903 enfrentou a Revolta da Vacina.

Fique atento ao tipo de vacina a ser tomada. Se viajar para a Europa você precisará estar imunizado contra o sarampo. Se for para os países Asiáticos, para a África, América do Norte e outros países da América do Sul, você precisará estar com a vacina da febre amarela em dia e se for para os países do Oriente Médio não se esqueça de tomar a vacina contra a meningite. No Brasil, algumas regiões como a centro-oeste e a região norte necessitam da vacina contra a febre-amarela.

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Crédito: Manu Dias/AGECON Bahia. Licenciada pelo Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica

Lembre-se: a imunização é muito importante e faz parte dos cuidados primários de saúde.

Novos dados sobre a E.coli na Europa

A bactéria Escherichia coli continua assustando a Europa e agora está interferindo também na política externa e nas relações internacionais, pois já provocou um prejuízo que passa de 300 milhões de euros para fazendeiros e comerciantes.

Essa bactéria é encontrada originalmente no trato digestivo de animais. Logo o problema recai no uso de fezes de origem bovina e suína como fertilizante; depois, no consumo da água contaminada ou até na falta de higiene em relação aos alimentos.

 

O genoma da bactéria mutante

 Cientistas alemães e chineses decodificaram os genes da desta nova “raça” da bactéria Escherichia coli. O que se sabe é que se trata de uma nova bactéria, ainda desconhecida, que deve ter surgido do cruzamento de duas subespécies de E. coli já conhecidas. Não é considerada uma mutação espontânea da espécie, pois já se sabe que uma das “progenitoras” é a EHEC O104:H4 (E. coli entero-hemorrágica). Mas 93% do genoma desse novo híbrido é idêntico ao de uma outra categoria de E. coli, dita EAEC (enteroagregante). Essa segunda “progenitora”, já detectada na República Centro-Africana, é conhecida por provocar diarreias graves.

Segundo a revista New Scientist, as EAECs são mais resistentes do que as outras E. coli, o que poderá explicar a virulência do novo microrganismo.

 

Discussão: saúde pública ou relação política?

O problema é que milhares de toneladas de legumes estão sendo destruídos pela Europa, em consequência da recusa de consumidores e restaurantes, receosos quanto à origem da bactéria.

Com uma visão além da doença, as maiores consequências dessa patologia são as relações políticas e comerciais entre produtores, diplomatas, chefes de Estado, UE (União Europeia) e organizações internacionais, como OMS (Organização Mundial da Saúde) e OMC (Organização Mundial do Comércio).

Várias reuniões em caráter emergencial estão sendo convocadas para aprovar planos de resgate do nome e da credibilidade do comércio europeu.

Na mídia, há notícias que envolvem desde possíveis jogadas para elevar subsídios sobre os produtos agrícolas até brigas para saber quem é o culpado pelo início da transmissão da doença. Só se tem certeza de que o pepino já foi “inocentado”…

Mas, dos pontos de vista sanitário e biológico, a preocupação está em como vamos evitar a propagação da bactéria, para que outra pandemia não vire notícia, atrelada  à deficiência de nutrientes, em consequência da diminuição do consumo de alimentos no dia a dia.

Por solicitação da OMS, serão divulgados apenas dados cientificamente confirmados, evitando-se que o problema bacteriológico se maximize com as alterações psicológicas.

Saiba mais sobre os órgãos públicos responsáveis pelo controle e divulgação de dados dessa epidemia.

EFSA — Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (European Food Safety Authority): é o órgão da União Europeia responsável pela garantia da segurança alimentar. Assegura estudos científicos nas áreas da alimentação e os devidos canais de comunicação em situações de risco. Tem promovido comunicados conjuntos com o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) como medidas de prevenção ao surto da E. coli.

 

ECDC — Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças (European Centre for Disease Prevention and Control): corresponde à agência da União Europeia, criada em 2005, para determinar mecanismos de defesa contra agentes infecciosos. Trabalha em parceria com órgãos de saúde em todo o continente. Tem realizado comunicados diários em relação ao monitoramento da toxina Shiga, produzida pela E. coli, bem como o levantamento do número de contaminados.

 

OMS — Organização Mundial da Saúde (World Health Organization): é o órgão das Nações Unidas que prevê normas, ações, suporte técnico e monitoramento para os países no setor da saúde. Estabelece parcerias com os membros da União Europeia e em todo o continente, em especial na provisão de dados estatísticos que permitem ações públicas na saúde. Ainda colabora com a OMC para assegurar questões de ordem fitossanitária, por meio de regras estabelecidas — como a Codex Alimentarius. Tem realizado amplo monitoramento a todos os países-membros no continente europeu, em especial no que diz respeito aos casos reportados de Síndrome Urêmica Hemolítica (HUS).

 

OMC — Organização Mundial do Comércio (World Trade Organization): resulta da evolução das negociações da Rodada do Uruguai em relação ao Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). Esse organismo multilateral regula as regras do comércio internacional. O banimento das importações de vegetais originários da União Europeia por parte da Rússia — posicionamento contrário às políticas da OMC — tem criado um significativo impasse geopolítico, que pode inclusive interferir no processo de adesão futura da Rússia como membro da OMC (e que, até então, contava com o apoio dos países da União Europeia).

 Veja mais detalhes sobre o tema no vídeo a seguir.

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 Por Anna Thereza Santos Ferreira e Leandro José Ribeiro Guimarães

Escherichia coli – um novo surto bacteriano

Mais uma vez as bactérias dão mostras de sua força. Esta semana vários países da Europa entraram em alerta, devido à presença da bactéria Escherichia coli.

 

Grã-Bretanha, Alemanha, Dinamarca, França e Holanda vivem dias de muita preocupação com relação à disseminação dessa bactéria que já matou várias pessoas na Alemanha e infectou milhares na Europa.

 

 

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Um dos prédios históricos da Alemanha. Corel Stock Photos.

 

A Escherichia coli é uma bactéria comum, em forma de bacilo, presente no intestino de animais vertebrados e no intestino humano. Foi descoberta no final do século XIX e início do século XX pelo bacteriologista alemão Teodor Escherich.

 

A E.coli é largamente utilizada para fins tecnológicos e industriais, ajudando na produção de antibióticos, imunossupressores, antitumorais e proteínas de interesse industrial. É importante frisar que as cepas usadas para essa finalidade são conhecidas e exaustivamente estudadas com relação a sua genética, a sua composição bioquímica e a sua estrutura o que as difere das cepas naturais.

 

No entanto, algumas dessas bactérias são responsáveis pelo aparecimento de distúrbios. Nenhuma bactéria é tão versátil em sua patogenicidade como a E. coli.

 

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 Foto em alta resolução da bactéria E.coli enterotoxigênica (ETEC), principal causadora de disfunções como diarreia. CDC/Janice Haney Carr. Crédito: Janice Haney Carr.

 

De acordo com o tipo de infecção causada, a E.coli se divide em seis categorias:

  • E. coli enteroinvasora (EIEC)
  • E. coli enteropatogênica (EPEC)
  • E. coli enterotoxigênica (ETEC)
  • E. coli êntero-hemorrágica (EHEC)
  • E. coli enteroagregativa (EAggEC)
  • E. coli que adere difusamente (DAEC)

 

A variedade que preocupa as autoridades europeias é a E. coli êntero-hemorrágica (EHEC). Segundo a OMS a cepa que causa o surto é uma mutante de outras duas cepas dessa variedade. Para alguns especialistas  a mutação é esperada, uma vez que as bactérias utilizam esse mecanismo para sobreviver.

 

Os principais sintomas são diarreia amena, sanguinolenta (colite hemorrágica) e síndrome hemolítica urêmica (HUS) em crianças e adultos. Esta última é a manifestação mais grave da infecção causando uma diminuição drástica no número de plaquetas (trombocitopenia), destruição dos eritrócitos (anemia hemolítica) e paralisação do funcionamento dos rins.

 

Como se trata de uma nova cepa de E. coli, o organismo humano não possui defesa e o ataque se torna mais agressivo, tornando as pessoas suscetíveis à bactéria.

 

Análises realizadas por laboratórios alemães com a ajuda de cientistas chineses confirmaram que a infecção não veio dos pepinos de origem espanhola. Pelas análises e decodificação genética da bactéria, os cientistas acreditam que a E.coli surgiu na Alemanha. O governo espanhol pede retratação do governo alemão, além de ressarcimento ao grande dano econômico que a notícia gerou aos milhares de agricultores espanhóis que cultivam pepino.

Vários países já estão se mobilizando para evitar um surto epidêmico, pedindo que a população tome o máximo de cuidado ao ingerir produtos alimentícios.

Aqui no Brasil, a possibilidade de um surto pela nova cepa de E. coli, segundo especialistas está temporariamente descartada. Talvez medidas preventivas sejam interessantes como a higienização na hora de manipular os alimentos.

Óxi: uma nova epidemia?

O óxi está sendo a notícia da hora nos programas relacionados à saúde e a casos de polícia. Mas como reagir numa situação como a que estamos vivendo hoje? Uns se revoltam e reagem considerando-o como uma nova ameaça à sociedade; outros falam de epidemia. Para muitos, assemelha-se a uma arma química.

Do que estamos falando? Da nova droga que se encontra no mercado internacional. O óxi tem efeito potencializado pelas substâncias utilizadas na sua produção. Oriundo do mesmo vegetal que a cocaína, ele se diferencia pelo refino e pela sua ação no organismo.

 Morador de rua, garota de programa e adolescente bem vestido se reúnem para fumar pedras de crack na região central da cidade Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Morador de rua, garota de programa e adolescente bem vestido se reúnem para fumar pedras de crack na região central da cidade Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 Desde 2008, já era conhecido no Norte do Brasil, mas com o advento do crack, o óxi acompanha a trajetória traçada pela droga antecessora.

 A facilidade de aquisição e de refino da cocaína permitiu que o óxi também se instalasse no Brasil. Mais barato e potencialmente muito mais perigoso que a cocaína, a sociedade espera que algo seja feito.

Preocupação

O maior problema quanto ao seu uso são as substâncias potencialmente tóxicas utilizadas na produção da droga.

Ela resulta da mistura de folhas de coca com a adição de produtos comprovadamente tóxicos, como a cal, o querosene e/ou a gasolina, e já foi encontrado também o ácido sulfúrico, aquele que encontramos em baterias de automóvel.

O óxi e o crack diferenciam-se pela cor: o crack é branco, enquanto o óxi apresenta uma coloração amarelada. Como o crack é mais caro, pasmem: quanto mais querosene for colocado, mais parecido com o crack ele fica… Entenderam a preocupação?

 Na falta de cachimbo, usuários de crack fazem adaptações em latas para fumar a pedra Foto: Marcello Casal Jr./ABr

Na falta de cachimbo, usuários de óxi e crack fazem adaptações em latas para fumar a pedra Foto: Marcello Casal Jr./ABr

 

 Ação no organismo

Já se conhece o efeito das substâncias acrescentadas para a produção do óxi, mas o agravante é a maneira como a droga é utilizada. Como ela é aquecida, as substâncias voláteis são liberadas com mais intensidade, ao passo que a cal é mais facilmente pulverizada. Imagine que isso equivale a inalarmos a fumaça de querosene sendo queimada e de pó de cal utilizada em obras de construção!…

Com esses dados, já pode ser listada a ação do óxi no organismo:

  • Boca – perda de dentes, queimadura nos lábios, necrose da mucosa.
  • Pulmão – tosse persistente, durante e após o uso, provocada pelo pó de cal, intensificando problemas respiratórios e podendo causar enfisema.
  • Sangue – ao ser inalada, a substância entorpecente leva oito segundos para chegar ao cérebro.
  • Cérebro – aumenta a produção de dopamina. Observa-se derrame, perda de memória e dificuldades de raciocínio e de concentração. Os delírios são verificados já na primeira inalação. Há casos de perda parcial de visão, devido à irritação nos olhos causada pela fumaça. O agravante é que não ocorre a combustão completa do querosene e da gasolina, sendo eliminadas substâncias como monóxido de carbono e vários outros óxidos, que prejudicam o funcionamento do organismo.
  • Coração – aumento dos batimentos cardíacos, com risco de infarto e hipertensão. Há nítido estreitamento dos vasos sanguíneos, aumentando a pressão sanguínea.
  • Estômago – a inalação da droga causa aumento da acidez estomacal, além de enjoo, náusea e diarreia.
  • Fígado e rins – ocasiona uma hiperfunção dos órgãos, propiciando o desenvolvimento de cirrose hepática ou falência renal

 Após todas essas complicações, o óxi pode levar à morte.

 O que fazer para evitar essa epidemia? 

 Nesse caso, dou a mão à palmatória aos meios de comunicação que incessantemente apresentam registros dos dados, expondo o problema à sociedade. Seguindo o pensamento de Paulo Freire, no livro Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa:

 “Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.” (FREIRE, p. 29)

            

Esperamos que, a partir desse pensamento de Paulo Freire sobre a importância da divulgação dos dados de pesquisa e da constatação das ações do óxi no organismo, os principais responsáveis pela segurança e saúde pública entendam a nossa preocupação.

Referência

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Editora Paz e Terra. Coleção Saberes. 1996

 

Por ANNA THEREZA SANTOS FERREIRA

Corrida de rua: prática desportiva ou opção de vida?

 Aumento do ritmo cardíaco, aperfeiçoamento respiratório, aumento da resistência muscular, estímulo neurológico, intensificação da homeostase (equilíbrio entre as funções vitais)… Mais motivos? Novas amizades, companheirismo, motivação para a busca pela qualidade de vida. Todos esses pontos positivos são obtidos sem se pagar nada por eles. É preciso apenas disposição, um bom par de tênis e …a rua.

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 Corrida de rua: busca pelo bem estar físico, mental e social. Crédito: Corel Stock Photo

É o que relatam muitos praticantes da corrida de rua. Essa modalidade não é apenas mais uma na busca pelo corpo perfeito, magro e malhado. Trata-se de uma atividade em que há momentos de ação fisiológica e psicológica resultando em todas as vantagens já citadas.

Mas como surgiu a corrida de rua?

Essa prática surgiu na Inglaterra por volta do século XVIII. Tornando-se popular, difundiu-se para vários países europeus como também para os Estados Unidos.

No final dos anos 1960, o médico Kenneth Cooper criou um método que popularizou as corridas, iniciando uma nova fase: a do cuidado com o corpo de maneira preventiva. O método de Cooper foi criado para medir o estado físico de oficiais da Força Aérea Americana, especialmente dos candidatos a astronautas. Para isto,  Cooper criou um sistema de pontos que controlasse as atividades e que agisse sobre todo o organismo, dos músculos até o coração, do sistema respiratório ao sistema circulatório. A atividade era aproveitar os espaços e horários disponíveis para correr.

Hoje as corridas de rua são um fenômeno. Inúmeras vezes nos deparamos com alguém que calçou seu tênis, colocou uma roupa leve e se dispôs a enfrentar o trânsito, não se importar com o clima e a relutar contra a preguiça. Outros ainda  se dedicam às centenas de provas realizadas em todo o País.

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Corrida contou com a participação de centenas de atletas. Fotos:Victor Luciano/ Secom. Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica 

Para que tudo “corra” dentro do previsto, é necessário que o praticante siga o passo a passo da corrida. A cada dica a seguir, você encontrará uma explicação fisiológica para esse movimento que hoje fascina tantas pessoas:

1. Inicie com um alongamento

Independentemente do que você fez antes da corrida, os músculos serão trabalhados de uma maneira diferenciada. Como se estivesse sob efeito estático, o músculo necessita se preparar para a carga que será exigida dele. A maneira correta para isso é dar “liberdade” às fibras, produzindo um efeito isométrico (contração sem movimento), livre de contraturas (contrações violentas) e retrações miofasciais (do tecidos conjuntivo que reveste o músculo).

O alongamento aumenta a flexibilidade do organismo, impedindo o atrofismo do músculo encurtado. Atua com ação analgésica, pois muitas vezes as dores musculares são causadas pelas contrações crônicas. Ocasiona aumento da circulação local e relaxa a musculatura, o que faz com que o sangue flua mais facilmente. Ao realizar a flexão, há um aumento nos arcos articulares, diminuindo a incidência de lesões articulares, musculares e tendíneas.

 

 2. Comece a corrida com um ritmo mais lento

Isso mostra ao organismo que será exigido um pouco mais dele. Vá aumentando a velocidade aos poucos.  Logo você sentirá um aumento na frequência cardiovascular e respiratória. Por quê? Porque está sendo exigida mais energia para que a musculatura realize as ações solicitadas. O aumento de energia demanda mais oxigênio, já que este provém da respiração celular. Aumentou a necessidade de oxigênio? Então, a respiração se intensifica. Mas não adianta só permitir a entrada de mais oxigênio, este precisa ser transportado. Como? Por meio da aceleração da circulação sanguínea. O que isso ocasiona? Aumento da temperatura corporal. Como resolver esse problema? O organismo solicita a ação das glândulas sudoríparas que, através da eliminação do suor, mantêm o equilíbrio térmico.

 

3. Diminua a velocidade aos poucos

Ao final da corrida, todo o organismo terá sofrido alterações fisiológicas e apresentará alta quantidade de endorfina.

 Endorfina: neurotransmissor produzido na glândula hipófise, localizada na base do cérebro. Age em situações que despertam sensações de bem-estar, causando euforia e prazer. Mas há muitos estudos sobre o vício em endorfina. É nítida a irritabilidade em atletas que ficam muito tempo longe das suas atividades desportivas, sofrendo de abstinência dessa substância.

 

Ao término das atividades, retornamos à primeira etapa. Devemos agora fazer com que a musculatura relaxe, pois foi arduamente exigida. O retorno da frequência cardíaca à normalidade induz ao controle respiratório.

Ao longo da corrida, houve perda excessiva de água pelo suor além de sais minerais, como sódio, potássio, magnésio e cálcio. Isso pode acarretar cãibra e fadiga muscular, durante ou após a atividade física. Portanto, há a necessidade de repor as substâncias perdidas, por meio da ingestão de sucos, bebidas isotônicas, água de coco, etc.

 

Cuidados a serem tomados

 

Apesar de todos os benefícios que a corrida nos proporciona, ainda precisamos nos preocupar com situações adversas. 

- Local da atividade: como a corrida de rua se propagou nas grandes capitais, muitas pessoas já se acostumaram a conviver com esses atletas. Mas são comuns atropelamentos de corredores por falta de atenção do condutor ou do próprio praticante. Outro problema verificado são ruas e estradas em má conservação, podendo ocasionar acidentes como estiramento, ruptura de ligamento ou entorses que afetarão a vida desportiva.

- Roupas e calçados: é preciso escolher um calçado adequado à prática da corrida (independentemente de modismos), pois assim evitam-se situações desagradáveis e desnecessárias como entorses e o surgimento de bolhas que interferem no bem-estar do praticante e na eficácia da atividade. Deve-se ficar atento também às roupas. Peças que impedem ou aumentam a transpiração podem ocasionar desidratação excessiva.

- Acompanhamento de profissionais: se estivéssemos falando de Fórmula 1, com certeza seria citada a importância dos mecânicos para  assegurar que a máquina está preparada e para dizer ao piloto quanto ele pode exigir dela para que chegue ao máximo de sua capacidade sem quebrar alguma peça do motor. E nas corridas de rua? A máquina é o nosso organismo e os nossos mecânicos são os médicos e os profissionais de Educação Física. Os médicos liberaram a “máquina”, comprovando que está preparada para a corrida. E os profissionais de Educação Física ditarão como aquecer o “motor”, a “potência” necessária e como atingir o objetivo pretendido.

 

Agora, deixe a preguiça de lado, coloque um tênis apropriado e vá para a rua. Quer um motivo para isso? Sua saúde e a famosa frase de Kenetth Cooper:

Se as pessoas não conseguem encontrar tempo para fazer alguma atividade física, que achem tempo para ficar doentes. É mais barato e eficiente manter a boa saúde do que recuperá-la depois de perdida.

  

Por Anna Thereza Ferreira

Falcões caçadores: uma tradição cazaque

As águias estão entre os animais mais admirados pelos seres humanos. Sua imponência nos céus quando estão sobrevoando em busca de alguma presa, seu porte e sua acuidade visual fazem delas símbolo de força e perspicácia. Não é à toa que, em muitas agremiações e países, essa ave seja utilizada como mascote ou como símbolo. Os Estados Unidos da América a têm como animal-símbolo.

 

Eagle statue on top of Palace of the Patriarchate

 Esta foto representa a cúpula do Palácio Romeno em Bucareste. Crédito: Horia Varlan. Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

 

Mas onde entra a águia na vida dos povos? Acredita-se que, 6 mil anos atrás, tribos nômades da Ásia Central utilizavam as águias como auxiliares de caça. Entre essas tribos estava o povo do Cazaquistão. A caça com águias também é chamada de falcoaria, utilizada para a obtenção de alimento. Em troca da presa (alimento), a águia é cuidada e adestrada

 

Para o cazaques, a caça com águia exemplifica ideais de hombridade e honra. Além de coelhos, marmotas e corujas, a raposa é a caça mais valorizada entre eles, já que sua pele pode atingir bons preços.

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A águia é um símbolo de força e destreza. Seu porte é imponente e causa encantamento. Crédito: Scott_Calleja. Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

 

Treinar uma águia exige força e delicadeza, além de sintonia entre a ave e seu adestrador. Primeiro, é necessário testar os reflexos e o equilíbrio da nova águia a ser adestrada. Em três semanas, a águia estará pronta para caçar. As fêmeas são as preferidas para serem treinadas. O sucesso da caça também dependerá do temperamento da própria águia.

 

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Sua precisão na captura de presas, faz das águias um dos animais mais interessantes da vida selvagem. Crédito: Cecil Sanders. Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

 

A caça a animais silvestres está ameaçada. A pressão de captura sobre as raposas e outros animais fez com que o governo chinês proibisse a caça com águias desde 1980. Isso modificou os hábitos dos cazaques. Entendendo que a falcoaria é uma patrimônio cultural deles, todo final do mês de janeiro, a caça de raposas é proibida entre os cazaques, para que esses animais  possam cuidar dos seus filhotes em paz.

No caso das águias, depois de dez temporadas em cativeiro elas são soltas, para que se reproduzam na natureza.

A falcoaria traz à tona a relação entre o homem e as aves de rapina. Após anos, quebrar esse elo e fazer com que as águias sigam seu caminho depende muito da atitude do adestrador.  

Por essa razão, aqui no Brasil, algumas pessoas se reuniram para formar a Associação de Falcoeiros e Preservação de Aves de Rapina, cujo objetivo é a regulamentação da falcoaria, com vistas na construção de conhecimentos sobre a Biologia e o comportamento das aves de rapina brasileiras, para subsidiar programas de conservação dessas aves.

O conhecimento da falcoaria é passado de pai para filho, sendo um dos pontos máximos da cultura entre os cazaques.

Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe

 

Começou em todo o Brasil a 13.ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe.

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 Desde 1999, a vacinação estava direcionada às pessoas com mais de 60 anos e aos indígenas. Mas desta vez está liberada para crianças de seis meses a dois anos incompletos, gestantes e trabalhadores dos serviços de saúde.

 

A vacina deste ano protege contra os três principais vírus registrados nos países da América do Sul, inclusive o da Gripe A (H1N1), que tanto assustou a população nos últimos anos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define planos de ação para conter pandemias de gripe no mundo. Se os governos unificassem os regimes jurídicos, ampliassem as parcerias com os laboratórios e as indústrias farmacêuticas, facilitando o acesso às vacinas, aos medicamentos antivirais e ao uso do material para diagnóstico, muitas doenças poderiam ser erradicadas. Devemos lembrar que os vírus e as bactérias não respeitam as fronteiras e são as ações de prevenção que conseguem evitar a propagação das doenças.

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Vacinação - processo de estímulo imunológico. Foto de Elza Fiúza/ABr.

Para conscientizar as pessoas da importância da vacinação, vamos relembrar a função do sistema imunológico e como a vacina age no nosso organismo.

O sistema imunológico é responsável por produzir substâncias proteicas denominadas anticorpos para atuar sobre os invasores que causam as doenças no nosso organismo. Cada vez que o organismo tem contato com um corpo estranho chamado de antígeno, ele inicia o processo de produção de anticorpos.

Pensando nisso, Edward Jenner teve, em 1789, a iniciativa de aplicar, em secreções de feridas, vírus inativos que seriam reconhecidos pelo organismo como sendo um antígeno. A partir disso, o organismo, sem desenvolver a doença, produziria os anticorpos e consequentemente ficaria protegido, sem haver a necessidade de entrar em contato com o agente causador ativo, desenvolver a doença e posteriormente estar imunizado. Surgia, assim, a vacinação.

A vacina, então, é uma técnica preventiva de massa, ou seja, abrange um número de pessoas que dificilmente seria atingido apenas por campanhas de prevenção em relação a atitudes como lavar as mãos, evitar lugares fechados, etc.

A Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe vem atingindo seu objetivo, pois, em pessoas com mais de 60 anos, reduziu as internações hospitalares, os óbitos e os gastos com medicamentos para tratamento de infecções secundárias. Estudos demonstraram ainda que houve redução de cerca de 45% no número de hospitalizações por pneumonias.

 

 Informações importantes

No caso das crianças, é preciso maior atenção dos pais ou responsáveis, pois eles deverão levá-las duas vezes aos postos de vacinação. Em cada uma dessas ocasiões, será aplicada meia dose de vacina. Para garantir proteção contra a gripe, é fundamental que a criança retorne ao posto de saúde 30 dias após receber a primeira dose.

 

Quem será vacinado

Toda a população de 60 anos ou mais, toda a população indígena (acima de seis meses de vida), crianças com idade entre seis meses e menores de dois anos, gestantes e profissionais de saúde.  

Onde se vacinar

As pessoas devem procurar a Secretaria de Saúde do seu município ou estado para se informar sobre a lista de postos de vacinação, bem como o endereço e o horário de funcionamento.

 

Contraindicações

Não deve tomar a vacina quem tem alergia à proteína do ovo. Pessoas com deficiência na produção de anticorpos, seja por problemas genéticos, deficiência no sistema imunológico (de defesa do organismo) ou tratamento de doenças como câncer e Aids, devem consultar o médico antes de tomar a vacina.

Observação importante: Apesar da campanha não envolver grande número da população, muitas clínicas particulares estão disponibilizando as vacinas para as pessoas que não fazem parte do grupo determinado pelo Ministério da Saúde.

Divulgue esta campanha! Com certeza você será beneficiado!

 

Por Anna Thereza Santos Ferreira