Aumento do ritmo cardíaco, aperfeiçoamento respiratório, aumento da resistência muscular, estímulo neurológico, intensificação da homeostase (equilíbrio entre as funções vitais)… Mais motivos? Novas amizades, companheirismo, motivação para a busca pela qualidade de vida. Todos esses pontos positivos são obtidos sem se pagar nada por eles. É preciso apenas disposição, um bom par de tênis e …a rua.

Corrida de rua: busca pelo bem estar físico, mental e social. Crédito: Corel Stock Photo
É o que relatam muitos praticantes da corrida de rua. Essa modalidade não é apenas mais uma na busca pelo corpo perfeito, magro e malhado. Trata-se de uma atividade em que há momentos de ação fisiológica e psicológica resultando em todas as vantagens já citadas.
Mas como surgiu a corrida de rua?
Essa prática surgiu na Inglaterra por volta do século XVIII. Tornando-se popular, difundiu-se para vários países europeus como também para os Estados Unidos.
No final dos anos 1960, o médico Kenneth Cooper criou um método que popularizou as corridas, iniciando uma nova fase: a do cuidado com o corpo de maneira preventiva. O método de Cooper foi criado para medir o estado físico de oficiais da Força Aérea Americana, especialmente dos candidatos a astronautas. Para isto, Cooper criou um sistema de pontos que controlasse as atividades e que agisse sobre todo o organismo, dos músculos até o coração, do sistema respiratório ao sistema circulatório. A atividade era aproveitar os espaços e horários disponíveis para correr.
Hoje as corridas de rua são um fenômeno. Inúmeras vezes nos deparamos com alguém que calçou seu tênis, colocou uma roupa leve e se dispôs a enfrentar o trânsito, não se importar com o clima e a relutar contra a preguiça. Outros ainda se dedicam às centenas de provas realizadas em todo o País.

Corrida contou com a participação de centenas de atletas. Fotos:Victor Luciano/ Secom. Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica
Para que tudo “corra” dentro do previsto, é necessário que o praticante siga o passo a passo da corrida. A cada dica a seguir, você encontrará uma explicação fisiológica para esse movimento que hoje fascina tantas pessoas:
1. Inicie com um alongamento
Independentemente do que você fez antes da corrida, os músculos serão trabalhados de uma maneira diferenciada. Como se estivesse sob efeito estático, o músculo necessita se preparar para a carga que será exigida dele. A maneira correta para isso é dar “liberdade” às fibras, produzindo um efeito isométrico (contração sem movimento), livre de contraturas (contrações violentas) e retrações miofasciais (do tecidos conjuntivo que reveste o músculo).
O alongamento aumenta a flexibilidade do organismo, impedindo o atrofismo do músculo encurtado. Atua com ação analgésica, pois muitas vezes as dores musculares são causadas pelas contrações crônicas. Ocasiona aumento da circulação local e relaxa a musculatura, o que faz com que o sangue flua mais facilmente. Ao realizar a flexão, há um aumento nos arcos articulares, diminuindo a incidência de lesões articulares, musculares e tendíneas.
2. Comece a corrida com um ritmo mais lento
Isso mostra ao organismo que será exigido um pouco mais dele. Vá aumentando a velocidade aos poucos. Logo você sentirá um aumento na frequência cardiovascular e respiratória. Por quê? Porque está sendo exigida mais energia para que a musculatura realize as ações solicitadas. O aumento de energia demanda mais oxigênio, já que este provém da respiração celular. Aumentou a necessidade de oxigênio? Então, a respiração se intensifica. Mas não adianta só permitir a entrada de mais oxigênio, este precisa ser transportado. Como? Por meio da aceleração da circulação sanguínea. O que isso ocasiona? Aumento da temperatura corporal. Como resolver esse problema? O organismo solicita a ação das glândulas sudoríparas que, através da eliminação do suor, mantêm o equilíbrio térmico.
3. Diminua a velocidade aos poucos
Ao final da corrida, todo o organismo terá sofrido alterações fisiológicas e apresentará alta quantidade de endorfina.
Endorfina: neurotransmissor produzido na glândula hipófise, localizada na base do cérebro. Age em situações que despertam sensações de bem-estar, causando euforia e prazer. Mas há muitos estudos sobre o vício em endorfina. É nítida a irritabilidade em atletas que ficam muito tempo longe das suas atividades desportivas, sofrendo de abstinência dessa substância.
Ao término das atividades, retornamos à primeira etapa. Devemos agora fazer com que a musculatura relaxe, pois foi arduamente exigida. O retorno da frequência cardíaca à normalidade induz ao controle respiratório.
Ao longo da corrida, houve perda excessiva de água pelo suor além de sais minerais, como sódio, potássio, magnésio e cálcio. Isso pode acarretar cãibra e fadiga muscular, durante ou após a atividade física. Portanto, há a necessidade de repor as substâncias perdidas, por meio da ingestão de sucos, bebidas isotônicas, água de coco, etc.
Cuidados a serem tomados
Apesar de todos os benefícios que a corrida nos proporciona, ainda precisamos nos preocupar com situações adversas.
- Local da atividade: como a corrida de rua se propagou nas grandes capitais, muitas pessoas já se acostumaram a conviver com esses atletas. Mas são comuns atropelamentos de corredores por falta de atenção do condutor ou do próprio praticante. Outro problema verificado são ruas e estradas em má conservação, podendo ocasionar acidentes como estiramento, ruptura de ligamento ou entorses que afetarão a vida desportiva.
- Roupas e calçados: é preciso escolher um calçado adequado à prática da corrida (independentemente de modismos), pois assim evitam-se situações desagradáveis e desnecessárias como entorses e o surgimento de bolhas que interferem no bem-estar do praticante e na eficácia da atividade. Deve-se ficar atento também às roupas. Peças que impedem ou aumentam a transpiração podem ocasionar desidratação excessiva.
- Acompanhamento de profissionais: se estivéssemos falando de Fórmula 1, com certeza seria citada a importância dos mecânicos para assegurar que a máquina está preparada e para dizer ao piloto quanto ele pode exigir dela para que chegue ao máximo de sua capacidade sem quebrar alguma peça do motor. E nas corridas de rua? A máquina é o nosso organismo e os nossos mecânicos são os médicos e os profissionais de Educação Física. Os médicos liberaram a “máquina”, comprovando que está preparada para a corrida. E os profissionais de Educação Física ditarão como aquecer o “motor”, a “potência” necessária e como atingir o objetivo pretendido.
Agora, deixe a preguiça de lado, coloque um tênis apropriado e vá para a rua. Quer um motivo para isso? Sua saúde e a famosa frase de Kenetth Cooper:
Se as pessoas não conseguem encontrar tempo para fazer alguma atividade física, que achem tempo para ficar doentes. É mais barato e eficiente manter a boa saúde do que recuperá-la depois de perdida.
Por Anna Thereza Ferreira