Óxi: uma nova epidemia?
O óxi está sendo a notícia da hora nos programas relacionados à saúde e a casos de polícia. Mas como reagir numa situação como a que estamos vivendo hoje? Uns se revoltam e reagem considerando-o como uma nova ameaça à sociedade; outros falam de epidemia. Para muitos, assemelha-se a uma arma química.
Do que estamos falando? Da nova droga que se encontra no mercado internacional. O óxi tem efeito potencializado pelas substâncias utilizadas na sua produção. Oriundo do mesmo vegetal que a cocaína, ele se diferencia pelo refino e pela sua ação no organismo.

Morador de rua, garota de programa e adolescente bem vestido se reúnem para fumar pedras de crack na região central da cidade Foto: Marcello Casal Jr./ABr
Desde 2008, já era conhecido no Norte do Brasil, mas com o advento do crack, o óxi acompanha a trajetória traçada pela droga antecessora.
A facilidade de aquisição e de refino da cocaína permitiu que o óxi também se instalasse no Brasil. Mais barato e potencialmente muito mais perigoso que a cocaína, a sociedade espera que algo seja feito.
Preocupação
O maior problema quanto ao seu uso são as substâncias potencialmente tóxicas utilizadas na produção da droga.
Ela resulta da mistura de folhas de coca com a adição de produtos comprovadamente tóxicos, como a cal, o querosene e/ou a gasolina, e já foi encontrado também o ácido sulfúrico, aquele que encontramos em baterias de automóvel.
O óxi e o crack diferenciam-se pela cor: o crack é branco, enquanto o óxi apresenta uma coloração amarelada. Como o crack é mais caro, pasmem: quanto mais querosene for colocado, mais parecido com o crack ele fica… Entenderam a preocupação?

Na falta de cachimbo, usuários de óxi e crack fazem adaptações em latas para fumar a pedra Foto: Marcello Casal Jr./ABr
Ação no organismo
Já se conhece o efeito das substâncias acrescentadas para a produção do óxi, mas o agravante é a maneira como a droga é utilizada. Como ela é aquecida, as substâncias voláteis são liberadas com mais intensidade, ao passo que a cal é mais facilmente pulverizada. Imagine que isso equivale a inalarmos a fumaça de querosene sendo queimada e de pó de cal utilizada em obras de construção!…
Com esses dados, já pode ser listada a ação do óxi no organismo:
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Boca – perda de dentes, queimadura nos lábios, necrose da mucosa.
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Pulmão – tosse persistente, durante e após o uso, provocada pelo pó de cal, intensificando problemas respiratórios e podendo causar enfisema.
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Sangue – ao ser inalada, a substância entorpecente leva oito segundos para chegar ao cérebro.
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Cérebro – aumenta a produção de dopamina. Observa-se derrame, perda de memória e dificuldades de raciocínio e de concentração. Os delírios são verificados já na primeira inalação. Há casos de perda parcial de visão, devido à irritação nos olhos causada pela fumaça. O agravante é que não ocorre a combustão completa do querosene e da gasolina, sendo eliminadas substâncias como monóxido de carbono e vários outros óxidos, que prejudicam o funcionamento do organismo.
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Coração – aumento dos batimentos cardíacos, com risco de infarto e hipertensão. Há nítido estreitamento dos vasos sanguíneos, aumentando a pressão sanguínea.
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Estômago – a inalação da droga causa aumento da acidez estomacal, além de enjoo, náusea e diarreia.
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Fígado e rins – ocasiona uma hiperfunção dos órgãos, propiciando o desenvolvimento de cirrose hepática ou falência renal
Após todas essas complicações, o óxi pode levar à morte.
O que fazer para evitar essa epidemia?
Nesse caso, dou a mão à palmatória aos meios de comunicação que incessantemente apresentam registros dos dados, expondo o problema à sociedade. Seguindo o pensamento de Paulo Freire, no livro Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa:
“Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.” (FREIRE, p. 29)
Esperamos que, a partir desse pensamento de Paulo Freire sobre a importância da divulgação dos dados de pesquisa e da constatação das ações do óxi no organismo, os principais responsáveis pela segurança e saúde pública entendam a nossa preocupação.
Referência
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Editora Paz e Terra. Coleção Saberes. 1996
Por ANNA THEREZA SANTOS FERREIRA

bom dia pra todos,
esse blog é interessante e legal.
obrigada
brenda