Quando o ambiente determina a ação dos genes

Existe um campo da Genética que tem chamado a atenção dos geneticistas: a Epigenética.

Por muito tempo se pensou que a expressão (função) de um gene pudesse ser totalmente controlada pela alteração nas sequências das bases nucleotídicas da molécula de DNA. Os geneticistas descobriram que o ambiente também pode causar mudanças fenotípicas, que serão futuramente herdadas aos descendentes.

Hoje, já se sabe que o hábito de vida das pessoas pode interferir na expressão dos genes. Escolher melhorar a alimentação, praticar exercícios regularmente e não fumar podem fazer diferença, sim, não só em nível fenotípico, como também em nível genotípico.

Estudos indicam que a ação dos genes pode ser modificada pelos nutrientes que os fetos recebem através do cordão umbilical durante sua formação. Uma dieta com vitamina B pode reverter a modificação das histonas que causam perda da memória e função motora.

Primeiro, é preciso entender como ocorre a regulação gênica.

Nos organismos multicelulares, entre os estágios de zigoto e adulto, as células do organismo se diferenciam. Mas como é que células geneticamente iguais se tornam funcionalmente diferentes?

Uma das respostas reside no fato de que as células não produzem as mesmas proteínas o tempo todo.

Para entender melhor o processo de formação de uma proteína, veja como ocorre a tradução.

Deve existir, então, um mecanismo na célula que ativa e inativa os genes em momentos diferentes e sob condições distintas. Um desses mecanismos é a epigenética. Ela estuda as interações causais entre genes e seus produtos, que são responsáveis pela produção do fenótipo.

O DNA encontra-se associado às histonas. Ambos encontram-se sob a forma de nucleossomo. O nucleossomo é a unidade básica da cromatina.

 

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Crédito: Anders Sandberg. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

 

Os principais eventos envolvidos na epigenética são a metilação do DNA e alterações nas histonas. Esses eventos atuam modificando a acessibilidade da cromatina para a regulação da transcrição.

As modificações de histonas (modificações das proteínas) e a metilação do DNA (modificações químicas) são muito importantes para estabelecer a programação correta da expressão dos genes, mas erros nesses processos podem levar a uma expressão aberrante de genes.

É o que acontece com o câncer. Por meio de um processo de acúmulo de erros genéticos e epigenéticos, uma célula normal pode se tornar uma célula invasiva ou uma célula tumoral. As alterações nos padrões de metilação do DNA mudam a expressão de genes associados ao câncer, tais como os genes supressores tumorais e os oncogenes. Em suma: além do genes, os hábitos que uma pessoa cultiva podem fazer com que o câncer venha a se desenvolver. Basta, para isso, que o hábito desencadeie os mecanismos envolvidos, ao mesmo tempo em que a compreensão deles pode permitir a criação de modelos para tratamento da doença.

Como se vê, a epigenética é um campo vasto no estudo da compreensão da expressão gênica causada por fatores ambientais. Os atos de hoje (progenitores) podem afetar o modo de vida das gerações futuras (descendentes).

A biopirataria no Brasil

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), em todo o mundo, apenas doze países são considerados megabiodiversos, ou seja, possuem 70% de todas as espécies de vertebrados, insetos e plantas pesquisadas. O Brasil lidera o ranking, com cerca de 150 mil espécies já identificadas e catalogadas, o que representa apenas 13% de todas as espécies de flora e fauna existentes. Restaria, contudo, identificar 90% desse potencial, cuja maior parte se situa na Amazônia: estima-se que ela abrigue um total de espécies entre 1,4 milhão e 2,4 milhões, a maioria ainda não reconhecida pelos pesquisadores.

 

Todo esse potencial não passaria despercebido por grandes laboratórios, empresas e instituições de pesquisas internacionais e a não catalogação dessas espécies dá margem para a apropriação indébita desses recursos por tais entidades. 

 

Na realidade, a história da biopirataria no Brasil remete ao tempo da colonização portuguesa e à exploração do pau-brasil (Caesalpinia echinata). Os índios sabiam como extrair o pigmento avermelhado, tão desejado para o tingimento de tecidos na época. A extração dessa madeira fez de muitos portugueses homens ricos, enquanto os indígenas foram premiados com utensílios que para o europeu não possuíam qualquer importância.

 

De lá para cá, o escambo, forma como é chamado esse tipo de relação comercial, não mudou muito. Ainda nos dias atuais, na cadeia do tráfico ilegal de plantas e animais, podemos notar a presença de indígenas, nativos e ribeirinhos, atuantes nas etapas desse grande processo de apropriação de recursos, agindo como coletores das matérias ou como intermediários na captação delas.

 

Na maior parte das vezes, a relação de troca se dá com base no valor de uso de determinadas mercadorias para os nativos. Por exemplo: o índio, em razão do processo de aculturação¹, se torna dependente de determinados produtos que não tem condições de produzir, como o açúcar. Então, para obter a mercadoria, retira da floresta materiais que possam interessar aos intermediários do comércio ilegal de plantas e animais silvestres. Nesse caso, o escambo não está pautado no valor de troca, uma vez que uma arara-azul-de-lear (Anodorhynchus leari), por exemplo, tem o custo de US$ 60 mil no mercado internacional, sendo, assim, muito mais valiosa que 5 kg de açúcar.

 

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Legenda: Imagem de uma arara-azul-de-lear. Valiosíssima no mercado internacional, a ave beira à extinção. Por raimacedo. Atribuição 2.0 Genérica (CC BY 2.0).

 

Tais trocas estão baseadas, portanto, no valor de uso, ou seja, relacionadas à necessidade de certa mercadoria para a vida daqueles habitantes. Contudo, muitos também são aqueles que detêm da retirada de espécies da floresta a fonte de renda para o sustento particular e de sua família. Entretanto, paga-se um valor entre R$ 50,00 e R$ 100,00 por um papagaio verdadeiro ao ribeirinho ou ao nativo que o recolhe na mata. Em criadouros autorizados, o animal chega a custar R$ 1.000,00.

 

Em uma CPI realizada em 2003 para averiguar a biopirataria no Brasil, foi apurado que cerca de 20 mil extratos de plantas nativas indispensáveis à fabricação de remédios saem ilegalmente do Brasil por ano, por meio da ação de institutos estrangeiros de pesquisas, em parceria com organizações não governamentais ambientalistas, os quais colheriam diariamente, segundo estimativas, até 45 amostras sem qualquer controle ou autorização do governo brasileiro.

 

Além disso, é comum que pesquisadores estrangeiros se instalem em tribos indígenas ou comunidades nativas de regiões da Amazônia para observar o uso que fazem de plantas e animais. Estima-se que as grandes corporações farmacêuticas cheguem a economizar cerca 50% nos custos de desenvolvimento de produtos quando transformam conhecimentos tradicionais das comunidades em conhecimento científico e depois em produtos.

 

Confira, na tabela abaixo, a relação das plantas mais conhecidas que foram patenteadas por grandes corporações farmacêuticas e alimentícias, lembrando, contudo, que nem sempre a patente pode ser considerada biopirataria. Se o laboratório investe em pesquisa e divide os rendimentos com as comunidades das regiões de origem da matéria-prima, então está no seu direito legal de uso daquele material. Além disso, embora grandes empresas internacionais tenham criado e industrializado produtos  a partir de matérias-primas brasileiras, utilizando pesquisas realizadas por estudiosos de nosso país, quando publicado em domínio público os resultados desses estudos, torna-se possível a apropriação dessas pesquisas e a produção de mercadorias por empresas com a tecnologia necessária para tanto, tudo isso de forma legítima.

 

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Por Jaqueline Santos


¹Aculturação: fusão de duas culturas diferentes que, em contato contínuo, originam mudanças nos padrões da cultura de ambos os grupos. Nessa fusão, contudo, normalmente ocorre a supressão de uma cultura em favor de outra.

Cnidários: animais intrigantes e curiosos (Parte 02)

Toxina mortífera

Irukandji é uma água-viva cubozoária encontrada no norte da Austrália, especialmente ao norte de Queensland. Seu tamanho é diminuto (aproximadamente 2cm de diâmetro), porém seu veneno é extremamente tóxico. Essa água-viva contém cnidoblastos no seu corpo, assim como nos tentáculos. A fisgada da Irukandji é muito dolorosa e provoca sintomas graves que podem ser fatais. Entre eles, podemos destacar: pressão alta, vômito, dores de cabeça, cãibras extremas e dor, além de uma sensação de queimação. Tais sintomas podem durar até duas semanas e não há antídoto.

Cubozoário.Gabriela_Allegro.Licenciada pelo Creative Commons 2.0 Genérica.

Cubozoário.Gabriela_Allegro.Licenciada pelo Creative Commons 2.0 Genérica.

Na Austrália, durante o verão, é comum mais de sessenta pessoas serem hospitalizadas com essa síndrome potencialmente fatal. Inicialmente a “picada” da água-viva normalmente não é muito dolorosa. Entretanto, aproximadamente 30 minutos após a picada, a pessoa começa a apresentar dor nas costas, na cabeça, nos músculos, no tórax e no abdome. Ansiedade e desespero (pela liberação de noradrenalina), inquietação e vômito também são comuns. Em alguns casos, a vítima sofre de edema pulmonar que pode ser fatal se não tratado.

O nome Irukandji refere-se a uma tribo indígena australiana que vivia ao norte de Queensland. Descrevia no seu folclore uma doença inexplicável que atingia as pessoas que nadavam no mar.

Por muito tempo, os cientistas achavam que a tal síndrome ocorria quando uma pessoa apenas entrava no mar (devido ao seu pequeno tamanho, a visualização do animal é difícil), mas pesquisas indicaram que se tratava de uma pequena cubomedusa.

O médico Jack Barnes, buscando decifrar a “síndrome de Irukandji”, em 1964 passou várias horas com roupa de mergulho, deitado na água perto de Cairns, em Queensland, em busca de uma água-viva que achava ser a responsável pela síndrome. Percebeu que uma miniatura de água-viva nadou próximo a sua máscara. Propositadamente encostou nos tentáculos do animal, para verificar se a água-viva que tinha apanhado era responsável pela síndrome de Irukandji. Assim, ele pôde descrever em primeira mão os sintomas provocados pela toxina do animal, porém teve de ser hospitalizado devido aos graves sintomas. Em homenagem ao Dr. Barnes, a água-viva minúscula foi chamada mais tarde Carukia barnesi.

Uma outra espécie, também mortífera encontrada na Austrália é a Chironex flecheri, sendo que esta apresenta uma toxina mais agressiva do que aquela produzida pela Carukia barnesi.

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Importância econômica dos cnidários

Todos os anos as águas-vivas gigantes invadem o Mar do Japão e atrapalham a renda dos pescadores japoneses. Essas águas-vivas, com mais de 2 metros de diâmetro e 200 quilos, foram estudadas pelos japoneses, os quais encontraram maneira de aproveitar as carcaças e assim diminuir os prejuízos na pescaria, já que muitos pescadores perdem vários quilos de mercadoria quando os tentáculos do animal atingem os peixes. A Câmara de Comércio e Indústria de Sasebo, em Kyushu, perguntou aos moradores como utilizar a água-viva na cozinha, e vários deles tiveram ideias que foram incorporadas pelas indústrias alimentícias locais.

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Atualmente as águas-vivas ganham destinos bastante deliciosos, como pratos japoneses e biscoitos. Alguns cozinheiros passaram a incrementar suas receitas com parte dessas criaturas marinhas, antes destruídas e desprezadas comercialmente.

A água-viva chamada popularmente de Echizen kurage pelos japoneses da região de Fukui foi estudada até o desenvolvimento de um processo que permite o aproveitamento de sua carcaça, composta em grande parte por água. Hoje, é transformada em condimentos próprios para fins culinários. A água-viva é componente de geleias, bentôs (marmitas japonesas) e doces, além de ser o principal ingrediente do biscoito Ekura-chan Saku Saku, vendido em caixinhas com 10 unidades pelo preço de 580 ienes (equivalente a, aproximadamente, 7 dólares).

Por Alessandra Acosta Santos

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Cnidários: animais intrigantes e curiosos (Parte 01)

 Os cnidários são animais exclusivamente aquáticos, sendo algumas espécies de água doce e a maioria,marinha. Os cnidários se caracterizam pela presença de células urticantes (os cnidócitos), cuja toxina é utilizada para caça e defesa.

Apresentam formas sésseis, denominadas pólipos (como as anêmonas e os corais), e livres-natantes, denominadas medusas (como as águas-vivas). As formas polipoides vivem fixas ao substrato e podem ser solitárias ou coloniais.

As medusas podem ser pequenas (alguns milímetros), mas há também as espécies maiores, podendo atingir 2 m de diâmetro e apresentar tentáculos com mais de 10 m de comprimento. Os pólipos solitários podem ser microscópicos ou chegar a 2 m de diâmetro, quando formam colônias.

A alimentação dos cnidários é feita por meio dos tentáculos, que capturam e encaminham para a boca os animais, principalmente pequenos crustáceos, e o plâncton.

Água-viva Foto: Philipp Baumbach. Licenciada pelo Creative Commons 2.0 Genérica.

Água-viva Foto: Philipp Baumbach. Licenciada pelo Creative Commons 2.0 Genérica.

Os registros fósseis mais antigos do grupo são de formas medusoides e datam do final do Pré-Cambriano (Ediacarano).

 Acidentes com cnidários

É muito comum banhistas sofrerem queimaduras ocasionadas por águas-vivas. Quem já passou por essa experiência sabe o quanto é desagradável ser atingido por esses animais. No Brasil, as águas-vivas não pertencem às espécies mais “venenosas”, porém seu ataque pode ser extremamente dolorido. Sendo assim, é importante saber como agir durante um ataque. Algumas pessoas podem desenvolver um processo alérgico, que as leva a um choque anafilático e/ou parada cardiorrespiratória.

Em geral as queimaduras não costumam deixar marcas ou lesões, entretanto alguns sintomas são bastante comuns, tais como: náuseas, vômitos, dor de cabeça e tonturas.

É fundamental que a pessoa ferida pela água-viva não esfregue o local e não utilize nenhum medicamento antes de procurar atendimento médico. A queimadura deve ser apenas lavada com a própria água do mar. De acordo com estudo publicado pelo Medical Journal of Australia, descobriu-se que remover os tentáculos e depois fazer uma compressa com vinagre ou soro fisiológico alivia a dor e impede a liberação de mais veneno no corpo. Isso ocorre porque substâncias ácidas ajudam a inativar a toxina do animal.

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Saiba como proceder depois do ataque de águas-vivas:

 

- Sair da água imediatamente.

- Não coçar o local queimado.

- Não usar pomadas com cortisona ou outros medicamentos para queimadura.

- Em caso de muita dor, tomar um analgésico.

Nos dias seguintes ao ataque, é interessante proteger a pele com filtro solar e creme hidratante, além de evitar expor-se ao Sol para não ficar com manchas no local.

Em nosso próximo post, falaremos sobre águas-vivas comuns na Austrália e no Japão. Até lá!

  

Por Alessandra Acosta Santos

O que não mata engorda?

“O que não mata engorda” é um ditado popular que pode ser utilizado para justificar as escolhas alimentares e medicamentosas, principalmente aquelas relacionadas à ingestão de substâncias naturais para fins medicinais. Há falta de informação da população sobre as aplicações e os riscos que os princípios ativos presentes nas plantas oferecem à saúde. Além disso, muitos fitoterápicos são comercializados sem registro, podendo apresentar, ainda, problemas de rotulagem e no processo qualitativo de produção.

A utilização de fitoterápicos deve ter indicação médica e acompanhamento adequado.: GlowImages/DPI Imagens

A utilização de fitoterápicos deve ter indicação médica e acompanhamento adequado.: GlowImages/DPI Imagens

Sendo assim, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu nove produtos fitoterápicos de serem comercializados em território Nacional. Verifique quais são na tabela abaixo.

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Embora os produtos citados já estejam suspensos pela Anvisa, não se sabe ainda quando se iniciarão as fiscalizações dos pontos onde eles são comercializados.

Por isso, o uso de plantas, suplementos ou outros produtos naturais deve ser discutido com o médico, para afastar o risco de efeitos colaterais. Algumas ervas apresentam propriedades tóxicas, o que pode comprometer a recuperação do paciente, causando-lhe complicações às vezes irreparáveis. Porém, quando aplicados no momento adequado e com recomendação médica, para auxiliar o tratamento convencional.

Por Alessandra Acosta Santos

O que é AVC hemorrágico?

Ricardo Gomes, técnico do Vasco, após sentir-se mal e ter dificuldade para falar e movimentar-se, foi levado ao hospital, onde a equipe médica diagnosticou um quadro de AVE (acidente vascular encefálico hemorrágico), conhecido também por AVC (acidente vascular cerebral). Mas o que é AVC?

Para compreendermos o que é acidente vascular cerebral, precisamos conhecer um pouco da anatomia do sistema nervoso.

O sistema nervoso humano é dividido em duas regiões distintas:

- SNC (sistema nervoso central) - formado pelo encéfalo, o qual se divide em cérebro, cerebelo, bulbo e medula espinal.

- SNP (sistema nervoso periférico) - formado pelos gânglios e pelos nervos cranianos e espinais.

Cérebro humano. CDC/ Dr. Edwin P. Ewing, Jr.

Cérebro humano. CDC/ Dr. Edwin P. Ewing, Jr.

Um acidente vascular manifesta-se quando determinadas regiões do sistema nervoso são afetadas, em decorrência do entupimento (isquemia) ou do rompimento (hemorragia) de vasos sanguíneos cerebrais. É uma doença de aparecimento súbito, sendo seu principal fator de risco a hipertensão arterial. A alteração neurológica pode variar de acordo com a região do cérebro que foi acometida.

Tipos de AVC

  • AVC isquêmico

O acidente vascular isquêmico pode ser causado por uma trombose (presença de coágulo sanguíneo) em uma artéria cerebral de pequeno ou de grande calibre. Dessa maneira, os tecidos não poderão receber oxigênio por esse vaso, o que ocasionará a morte dos tecidos, fazendo com que o local afetado do cérebro pare de funcionar.

  • AVC hemorrágico

O acidente vascular hemorrágico ocorre quando algum vaso do cérebro se rompe e faz com que aconteça extravasamento de sangue para dentro do cérebro. Essa é a forma mais grave da doença. data="http://www.youtube.com/v/_znhGMoF9jI?rel=0" width="425" height="350">

Fatores de risco do AVC

Os acidentes vasculares cerebrais apresentam os mesmos fatores de risco de doenças cardiovasculares, dentre os quais os principais são: hipertensão, o tabagismo, a dislipidemia (aumento de lipídios, ou gorduras, no sangue) e o diabetes.Também contribuem para a ocorrência de um AVC as doenças que aumentam os riscos de sangramento, como a deficiência de plaquetas, por exemplo, pois as plaquetas atuam no mecanismo da coagulação, e a diminuição do seu número pode causar sangramento. A utilização de medicamentos anticoagulantes também pode contribuir para o risco de acidente vascular hemorrágico. Ressalta-se que os fatores genéticos também não podem ser descartados.

Hipertensão. James Gathany, CDC/ CDC Connects

Hipertensão. James Gathany, CDC/ CDC Connects

Sintomas

As alterações neurológicas no acidente vascular cerebral são muitas vezes perceptíveis, fazendo com que o paciente procure por atendimento médico. Entretanto, a instalação do quadro neurológico aparece de maneira abrupta, e sua evolução ocorre em poucas horas. Os sintomas podem variar de acordo com a região do cérebro acometida, porém os mais comuns são:

- alterações de sensibilidade;

- afasia (perda da fala);

- hemiplegia (paralisia de um dos lados do corpo);

- hemiparesia (paralisia parcial de um dos lados do corpo, podendo predominar em braços ou pernas).


Sequelas

Pessoas afetadas por um AVC podem apresentar sequelas temporárias ou permanentes. Em geral, as sequelas afetam a sensibilidade de algum local do corpo, a fala e as capacidades cognitivas e intelectuais, como perda de memória e dificuldade para lidar com números.

Prevenção

Especialistas afirmam que a melhor maneira de prevenir-se é por meio de um rígido controle dos fatores de risco. Apresentar bons hábitos alimentares também é essencial, devendo-se evitar o excesso de sal e de gorduras e praticar esportes.

Alimentos saudáveis. James Gathany, CDC/ CDC Connects

Alimentos saudáveis. James Gathany, CDC/ CDC Connects

No Brasil, neste ano, a doença já atingiu 84 mil pessoas, segundo dados do SUS (Sistema Único de Saúde), sendo esta uma das maiores causas de internação e morte em todo o País.

Por Alessandra Acosta Santos

Anomalias genéticas da espécie humana

As anomalias genéticas se caracterizam por qualquer modificação ou alteração brusca de genes ou de cromossomos, podendo provocar uma variação hereditária ou uma mudança no fenótipo. A mutação pode produzir uma característica favorável num dado ambiente e desfavorável em outro. Todos os seres vivos estão sujeitos a alterações genéticas, entre eles a espécie humana.

Foto: Desconhecido. Licenciada pelo Creative Commons 2.0 Genérica.

Foto: Desconhecido. Licenciada pelo Creative Commons 2.0 Genérica.

Várias síndromes humanas estão relacionadas às alterações genéticas. Entre elas, podemos destacar:

Síndrome de Klinefelter

Síndrome que provoca no homem jovem um desenvolvimento anormal dos seios (ginecomastia), atrofia testicular, ausência de formação de espermatozoides (azoospermia) e uma elevação da concentração do hormônio FSH. O cariótipo mais comum é 47, ou seja, a presença de um cromossomo a mais (XXY). Na sua forma habitual, porém não de regra, a síndrome de Klinefelter pode ser acompanhada de deficiência intelectual. Os pacientes são altos e magros, com membros inferiores relativamente longos. Após a puberdade, os testículos permanecem pequenos e os caracteres sexuais secundários continuam subdesenvolvidos.

Síndrome de Down

Doença congênita caracterizada por malformações dos órgãos (coração, rins), retardamento mental de moderado a severo, língua espessa, pés e mãos de pequenas dimensões, alterações nas feições. É resultante de uma anormalidade na constituição cromossômica: os indivíduos afetados apresentam um cromossomo extra — que se acrescenta ao par de número 21 — em suas células (por essa razão, a doença é também denominada trissomia do 21). A frequência com que essa síndrome se manifesta é de uma para cada 500 crianças nascidas vivas e é superior para concepções em mulheres com idade acima de 40 anos. A síndrome de Down, descrita em 1866 pelo médico inglês John Langdon Haydon Down (1828-1896), é sem dúvida o distúrbio cromossômico mais comum.

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Trissomia do 13 - Patau

A trissomia do cromossomo 13 é clinicamente grave e letal em quase todos os pacientes que sobrevivem até 6 meses de idade. O fenótipo inclui malformações graves do sistema nervoso central como arrinencefalia (deformações do rinencéfalo, ou seja, o conjunto das formações nervosas situadas na face interna e inferior de cada hemisfério cerebral). Desse modo, um retardamento mental acentuado está presente. Em geral há defeitos cardíacos congênitos e anomalias defeitos urigenitais. Com frequência encontram-se fendas labial e palatina, anormalidades oculares, polidactilia, punhos cerrados e as plantas arqueadas.

Trissomia do 18 - Edwards

A maioria dos pacientes dessa síndrome apresenta trissomia regular, isto é , cariótipo 47, XX ou XY, +18. As manifestações da trissomia do 18 sempre incluem retardamento mental e atraso do crescimento e, às vezes, malformações graves no coração. O crânio é excessivamente alongado na região occipital. O pavilhão das orelhas é dismórfico, com poucos sulcos. A boca é pequena. O pescoço é curto. Os genitais externos são anômalos. O dedo indicador é maior do que os outros e flexionado sobre o dedo médio.

Diagnóstico das anomalias genéticas

As pesquisas científicas e a evolução da tecnologia médica permitem muitas vezes diagnosticar as anomalias genéticas ainda quando a criança está em processo de formação no útero materno. Assim, tais anomalias podem ser detectadas por meio da amniocentese, que consiste na punção da cavidade amniótica através da parede abdominal, feita numa mulher grávida. Esse processo permite a retirada de certa quantidade de líquido amniótico para fins de análise. A amniocentese precoce, praticada entre a 16.ª e a 18.ª semana de gestação, possibilita o diagnóstico de anomalias fetais que podem conduzir a um aborto; por meio dela, também é possível detectar se a criança é portadora da síndrome de Down, entre outras anormalidades genéticas.

Agentes Mutagênicos

As mutações podem ser otimizadas por agentes mutagênicos, que compreendem principalmente vários tipos de radiação, dentre os quais os raios ultravioleta, os raios X e as substâncias que interferem na autoduplicação do DNA ou na transcrição do RNAm, determinando erros nas sequências dos nucleotídeos. Em 1920, Hermann J. Muller descobriu que submetendo drosófilas (moscas-das-frutas) ao raio X, a frequência das mutações aumentava cerca de cem vezes em relação à população não exposta. Muitas são as substâncias mutagênicas, e elas têm aumentado muito nos últimos anos, sendo bastante conhecidos o gás mostarda, o ácido nitroso, o formaldeído, a nicotina, entre outros. Essas substâncias também podem aumentar a frequência de mutações. Aerossóis, corantes alimentares e alguns componentes da fumaça do cigarro são capazes de alterar o patrimônio genético de uma célula, podendo levar ao desenvolvimento de diversas formas de mutações e câncer.

O cigarro é um exemplo de agente mutagênico. GlowImages/DPI Imagens

O cigarro é um exemplo de agente mutagênico. GlowImages/DPI Imagens

Os seres vivos são submetidos, diariamente, a vários desses agentes. Porém, as mutações permanecem como eventos não muito frequentes, uma vez que do material genético é relativamente estável. Tal estabilidade ocorre devido à existência de um grupo de enzimas de reparação, que “investigam” permanentemente as moléculas de DNA à caça de alterações na sequência de seus nucleotídeos. Na maioria das vezes, essas alterações são detectadas e revertidas.

Por Alessandra Acosta Santos

Banco de Sementes – uma estratégia para acabar com a fome

Na história do homem, a domesticação de plantas e animais, segundo estudiosos, aconteceu há 11 mil anos. Tal evento trouxe mudanças significativas, como a aquisição de novos hábitos alimentares, mudanças nas relações (já que o que se cultivava passou a servir como moeda de troca), entre outras.

O que nos interessa neste post é analisar como as sementes podem garantir a biodiversidade e, sobretudo, como elas podem contribuir para a confecção de planos de ação no combate à fome.

Quem já teve ou terá a oportunidade de viajar para lugares como a Região Centro-Oeste do Brasil viu ou verá extensos campos de soja ou milho, a perder de vista. Você certamente poderá pensar que não falta alimento, e sim que há qualquer outro impedimento (fator político e/ou econômico) para que a fome continue a assolar algumas regiões do mundo. Será? Vejamos: hoje em dia, a variedade de sementes de um mesmo produto, como o milho, por exemplo, é abundante. Só para se ter uma idéia, atualmente existem no mercado brasileiro 362 cultivares de milho. Mas como surgiram tantas variedades? A resposta é: por meio do melhoramento genético.

 

Antigamente, os próprios agricultores realizavam o melhoramento genético  simplesmente escolhendo as melhores plantas e realizando o cruzamento entre elas. Se o resultado fosse satisfatório, as sementes eram separadas e, posteriormente, cultivadas. Foi assim que as plantas foram domesticadas (entenda-se por domesticação a obtenção de uma variedade que atenda às necessidades quanto a uma produtividade maior, por exemplo).

Essa técnica foi sendo cada vez mais aprimorada pela ciência, possibilitando produzir uma quantidade razoável de cultivares, como o do milho, citado acima. E isso é bom ou ruim para acabar com a fome no mundo? Depende: na medida em que se criam novas variedades e elas substituem as locais ou tradicionais, o pool genético original se perde, e genes que combateriam pragas podem ter se perdido para sempre. Desse modo, há uma redução da variabilidade genética, colocando em risco os cultivos o que se torna um problema, já que em mais de 60% do mundo a base alimentar está concentrada em três produtos: milho, trigo e arroz.

 

Pensando nisso, a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias) gerou em Brasília a Arca de Noé das sementes: um banco de germoplasma. Nele, está contida uma verdadeira biblioteca genética, armazenando os genes de 68 mil sementes, tanto de plantas ainda cultivadas como de algumas que não existem mais.

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 Sala onde as sementes são armazenadas para secagem. Crédito: luigig. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

 

Outra alternativa é a criação de associações que visem à preservação das variedades tradicionais. O Brasil conta com associações como a Cooperativa dos Bancos Comunitários de Sementes (Alagoas) e a União das Associações Comunitárias do Interior do Canguçu (no Rio Grande do Sul) em que associados plantam e colhem variedades de feijão, milho, trigo com sementes crioulas (sementes que não foram modificadas geneticamente).

 

Na Noruega foi construído o Banco Mundial de Sementes, do qual participam 116 países. Sua criação foi facilitada pelo Tratado Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos para a Alimentação e a Agricultura.

 

Dessa forma, o patrimônio genético é preservado e, consequentemente, a biodiversidade é mantida.

Visto dessa maneira, é possível vislumbrar estratégias de combate à fome no mundo.

Por que dizer “não” às drogas e ao álcool

A morte da cantora britânica Amy Winehouse, aos 27 anos, no dia 23 de julho de 2011, trouxe à tona as discussões sobre os efeitos do álcool e das drogas no corpo humano, assim como suas consequências. Dessa maneira, surge a necessidade de esclarecer aos jovens os principais problemas relacionados ao uso dessas substâncias.

Diga não as drogas.GlowImages/DPI Imagens

Diga não as drogas.GlowImages/DPI Imagens

O álcool

O consumo de bebidas alcoólicas de maneira descontrolada traz prejuízos físicos e psicológicos aos usuários e à sociedade. Abaixo, estão alguns dados relevantes sobre as consequências do abuso de álcool.

Consumo de álcool em excesso leva ao alcoolismo. Fábio José de Sousa/Positivo Informática

Consumo de álcool em excesso leva ao alcoolismo. Fábio José de Sousa/Positivo Informática

A ingestão de álcool em excesso é responsável por:

- 70% dos acidentes de trânsito;

- 67% dos abusos com crianças;

- 40% dos estupros;

- 51% dos delitos graves;

- 38% dos suicídios;

- 65% da violência doméstica;

- 54% de acidentes de trabalho com danos;

- 60% das ocorrências policiais envolvendo violência;

- 51% das internações em hospitais psiquiátricos;

- 20% dos pedidos de separação judicial.

As drogas

Algumas drogas são produzidas a partir de plantas (drogas naturais), como, por exemplo, a maconha, que é feita da Cannabis sativa, e o ópio, proveniente da flor da papoula. Outras são fabricadas em laboratórios – as chamadas drogas sintéticas – como o ecstasy e o LSD. A maioria delas causa dependência química ou psicológica e pode levar à morte, em caso de overdose.

As drogas matam. Fábio José de Sousa/Positivo Informática

As drogas matam. Fábio José de Sousa/Positivo Informática

Há, atualmente, uma variedade muito grande de drogas, infelizmente muitas delas de fácil acesso aos jovens. As informações sobre as consequências que o consumo de tais substâncias traz para o organismo e o diálogo aberto com a família e com a escola ainda são as formas de orientar crianças e jovens, prevenindo-os, assim, contra o consumo de entorpecentes. Podemos analisar os efeitos das drogas sobre corpo humano por dois aspectos distintos: o clínico e o químico.

Clinicamente, a dependência química pelo uso de substâncias psicoativas é considerada uma patologia, apresentando diferentes sintomas que comprometem o indivíduo nos aspectos físicos e psicológicos.

Do ponto de vista químico, para compreender a ação das drogas no corpo, faz-se necessário conhecer o funcionamento dos neurônios. Os neurônios são células que formam o sistema nervoso, e que são responsáveis pela condução dos impulsos nervosos. A membrana exterior de um neurônio apresenta ramos extensos, chamados dendritos, que recebem sinais elétricos de outros neurônios e de uma estrutura, o axônio, que envia sinais elétricos a outros neurônios. O espaço entre o dendrito de um neurônio e os telodendritos de outro denomina-se fenda sináptica, por meio da qual os sinais são transportados mediante sinapses por uma variedade de substâncias químicas chamadas de neurotransmissores.

Neurônio visualizado ao microscópio eletrônico. Kkazaei. Licenciada pelo Creative Commons Atribuição-Proibição de Obras Derivadas  2.0 Genérica.

Neurônio visualizado ao microscópio eletrônico. Kkazaei. Licenciada pelo Creative Commons Atribuição-Proibição de Obras Derivadas 2.0 Genérica.

As drogas podem estimular, inibir e/ou substituir os neurotransmissores, alterando o comportamento do usuário, que vai perdendo o controle de suas ações conforme o tipo de droga utilizada, a dosagem e o tempo de uso.

De acordo com os aspectos clínico e químico do usuário, destacam-se os principais sintomas gerais:

- mudanças de comportamento;

- baixo rendimento escolar e/ou abandono dos estudos.

- queda na qualidade do trabalho, inquietação, irritabilidade, insônia ou, ao contrário, depressão e sonolência;

- atitudes furtivas ou impulsivas;

- uso de camisas de manga longa, mesmo no calor.

Ressalta-se que nem sempre as características citadas são exclusivas de usuários e/ou dependentes químicos. São necessários, muitas vezes, o acompanhamento e o diagnóstico de especialistas, por meio de exames médicos que conseguem detectar a presença de drogas no organismo – os chamados exames toxicológicos.

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Como forma de proteção da saúde física, psicológica e social de crianças, jovens e adolescentes, precisamos falar sobre as drogas e outras substâncias capazes de causar dependência, trazendo-lhes informações sobre os seus efeitos e consequências e apresentando-lhes os reais danos sociais e legais e os riscos ocasionados à vida dos envolvidos.
Nesse sentido, família, escola e sociedade são responsáveis pela disseminação de informações e orientações sobre o consumo de tais substâncias.

Por Alessandra Acosta Santos

Catástrofe ambiental: os efeitos adversos provocados pela ausência de grandes predadores

Quando falamos de cadeia alimentar, pensamos nas relações estabelecidas entre os seres vivos durante o processo de obtenção de alimentos. Em suma, cada organismo alimenta-se de uma gama de outros seres vivos, e assim sucessivamente, num continuum cíclico: a cadeia alimentar.

Há também um conceito mais amplo, que é o da teia alimentar. Essa se constitui de um conjunto de cadeias alimentares interligadas por tipos alimentares comuns aos organismos. Dessa maneira, os mais variados ecossistemas se mesclam e o ambiente se organiza.

Uma cadeia trófica ou alimentar é constituída por produtores, representados por organismos autótrofos, ou seja, aqueles capazes de obter alimentos a partir de substâncias inorgânicas, como os vegetais; e por organismos heterótrofos, aqueles que obtêm alimento ingerindo outro ser vivo, como um vegetal ou um animal; esses são os consumidores, representados pelos animais. Nesse nível trófico há vários tipos de consumidores (primários, secundários, terciários, quaternários, etc.). Por último, temos os decompositores, categoria formada por seres que decompõem a matéria orgânica de animais mortos. Seus representantes são as bactérias e os fungos.

Entre os consumidores, existem aqueles que ocupam o topo da cadeia. Esses são representados por predadores que não possuem predador. São exemplos: leões, tigres, lobos e tubarões. Por muito tempo se acreditou que a retirada desses seres, ou até mesmo sua diminuição, não afetaria o ambiente ou, se afetasse, não causaria grandes impactos, já que eles se encontram no topo da pirâmide trófica. Ledo engano!

 

lobo

Legenda: Os lobos estão no topo da cadeia alimentar. Recentemente, os lobos-cinzentos (Canis lupus) foram retirados da lista de espécies ameaçadas de extinção pelo Congresso dos Estados Unidos. Tal decisão não tem apoio dos conservacionistas nem dos cientistas. Credito: Fremlin. Licenciado por Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

 

 

Um estudo realizado por pesquisadores da área de conservação e ecologia de várias universidades aponta que a diminuição dos grandes predadores compromete a dinâmica de funcionamento de um ecossistema nos níveis biótico (seres vivos) e abiótico (luz, água, temperatura). Para comprovar tal comportamento você poderá utilizar o simulador de Relações Alimentares.

Os cientistas observaram que um decréscimo da população de lobos no Parque Yellowstone modificou a população de alces não só em número, como também em hábitos, pois eles passaram a pastar em áreas que anteriormente eram restringidas por aqueles predadores. Logo os castores, que se alimentavam dos vegetais presentes nessas áreas começaram a passar fome ou procurar outra fonte de alimentos. Pronto: o desequilíbrio se estabeleceu. Para retomar as condições anteriores, foi necessária uma reintrodução de lobos no parque. Veja o vídeo sobre o Parque Yelowstone e sobre os animais que ali vivem:

 

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Outro exemplo estudado é o da redução do número de felinos em Utah. Essa ausência trouxe reflexos negativos ao ecossistema, como perda da vegetação, alteração do fluxo de canais de água e aumento do número de cervídeos.

 

Com esses estudos, fica comprovado que os predadores no topo da cadeia trófica são fundamentais para o ecossistema como um todo, o que e derruba o conceito errôneo em ecologia de que a retirada desses animais interfere muito pouco em um ambiente.