Ser mãe, a mais nobre missão
Nós, adultos, somos muito da criança que fomos. Essa tão verdadeira assertiva merece um belíssimo complemento: “Eu sou o que as mulheres que amei fizeram de mim” - dito pelo dramaturgo Domingos de Oliveira, com ênfase ao primeiro amor de sua vida.
Nada mais marcante, e ao mesmo tempo puro e santificado, que a relação de amor de uma mãe com o seu rebento. De todas as tarefas que o Bom Deus concedeu aos humanos, a mais nobre é educar um filho. No entanto, nunca foi tão difícil como nos dias de hoje.
As mães sempre foram as maiores educadoras de todos os tempos e as suas palavras e exemplos ecoarão pelo resto da existência do filho. Nas últimas cinco décadas, houve uma transformação significativa no papel de mãe. Antes, era a única responsável pelo bem-estar e felicidade de toda a família. Atualmente, essa árdua tarefa tem que ser compartilhada por todos os adultos da casa e, tanto quanto possível, que todos tenham uma unidade de ação e verbalização. Hoje, com as fortes exigências profissionais e particulares, concomitantemente mãe é bússola, GPS e multifuncional. Bússola, pois determina o norte, repassando valores e bons hábitos. GPS, pois mostra cada detalhe da caminhada do filho. Quando um aparelho realiza 3 funções, dizemos que é multifuncional. O que dizer de uma mãe que diuturnamente executa dezenas de obrigações? É multi, multi, multifuncional!
São tantas as alegrias, mas também os conflitos e as renúncias, que ao assumir o papel de mãe fecham-se as portas do purgatório. Num momento, sorrisos, minutos após, choro e ranger de dentes. Adverte a educadora carioca Tânia Zagury que “ao se ter um filho, perde-se o direito de se aposentar do papel de pais”. Sim, cada filho representa um coração fora do corpo da mãe, pois sua também é a felicidade ou a tristeza do seu rebento. Nenhuma missão é mais grandiosa que a de ser mãe. Nutrir de afeto ou exigir disciplina é uma relação que deve ser intensa e proativa, jamais, tíbia e leniente. Ensina um provecto aforisma oriental que Deus, não podendo estar ao mesmo tempo em todos os lugares da terra, criou as mães para ajudá-Lo na árdua tarefa de construir um mundo melhor.
Há momentos, sim, de desamparo e desalento no cotidiano de uma mãe. Conforta a mensagem que parafraseio da Oração de São Francisco de Assis: que eu, sendo mãe, aceite mais consolar que ser consolada. Mais compreender, que ser compreendida. Mais amar, que ser amada.
Jacir J. Venturi,
professor, diretor de escola e autor do livro
Da Sabedoria Clássica à Popular.


