Tempo dedicado à tarefa

Dando continuidade às nossas reflexões sobre administração do tempo, vamos refletir sobre o tempo dedicado aos estudos. Tem-se observado, recentemente, que os alunos que aprendem com uma mistura de recursos presenciais e a distância obtêm resultados melhores exatamente porque se dedicam mais às tarefas de estudo.

Temos lido, com tanta frequência, que o computador distrai a atenção das pessoas e dos alunos mais jovens em particular! O que acontece, no entanto, é que quando podemos estudar no computador, acabamos dedicando mais tempo a inúmeras tarefas de estudo, e o trabalho se torna mais produtivo. Vejamos como isso é possível.

O computador, de fato, não é o melhor suporte para se ler textos longos, mas é muito indicado para produzir trabalhos, levantar, reunir e editar informações, testar ideias em simuladores, tirar dúvidas com materiais dos mais variados formatos e com pessoas. É sempre impressionante ver como uma turma, seja de adultos ou de crianças, fica envolvida com o trabalho quando está diante de uma tela. Pessoas que estudam e trabalham em casa com seu computador também se envolvem mais profundamente nas suas tarefas.

Está claro, portanto, que estudar na tela pode ser muito eficaz para quem gosta disso. No entanto, os computadores conectados à Internet oferecem distrativos com os quais temos que tomar cuidado: é muito divertido jogar, conversar no MSN, ouvir música ou assistir vídeos no computador. Se isso tudo acontece enquanto estamos trabalhando ou estudando, podemos nos desconcentrar. Esse fato dá muita vontade de defender que é necessário bloquearmos os distrativos para que o estudo na tela seja realmente eficaz. Mas não é bem assim que funcionam os estudos.

Com os distrativos é possível ampliar-se o tempo de estudo.
Parece incoerente? Os estudos sobre realização de tarefas simultâneas mostram que nosso cérebro se adapta bem à realização de múltiplas tarefas, desde que sejam de naturezas diferenciadas. Não dá para ouvir duas músicas ao mesmo tempo, assim como não dá para estudar Matemática e Física simultaneamente, ou escrever e falar, ou falar ao celular e dirigir. Mas, por outro lado, dá para estudar ouvindo música ou mesmo trocar algumas mensagens com colegas nos intervalos entre um raciocínio e outro.

Observou-se que as pessoas que têm essa prática levam mais tempo total para conseguir aprender determinados conteúdos e habilidades, mas, ao final, têm a mesma taxa de erros que aquelas pessoas que não interrompem os estudos para nada. Nosso impulso inicial é, novamente, condenar a prática de interromper tarefas importantes (como o estudo), visto que se aprende mais rapidamente quando não permitimos interrupções.

No entanto, é importante ver essa questão por outro ângulo: algumas tarefas de estudo são extremamente enfadonhas, e alguns alunos (ou adultos) não aguentam realizá-las sem distração. Quem consegue caminhar mais de 10 minutos em uma esteira ergométrica sem assistir à televisão, mesmo que sem som? Quem gosta de dirigir horas a fio sem ouvir música ou notícias? Quem aguenta passar roupas sem televisão, rádio ou uma boa conversa com uma amiga? Do mesmo modo, muitos alunos não suportam estudar horas a fio, como precisam, sem algum alento, seja ele música ou interação com os amigos. Por esse ponto de vista, as distrações acabam aumentando o tempo total de estudo que uma pessoa tolera e, mesmo que seja necessário passar mais tempo total estudando para aprender o mesmo material, a soma total de esforço que se consegue realizar pode compensar.

No final das contas, o que é essencial não mudou: para aprender precisamos de tempo. Quanto mais tempo estudando, mais se aprende. Não vamos escapar disso. E pior: o mundo nos obriga a aprender cada vez mais, em todos os momentos da vida e durante toda a vida. O melhor é compreendermos a maneira mais eficaz de estudar e trabalhar, e ajudar os jovens a usarem os eventuais distrativos para aumentar o tempo de estudo ao invés de reduzi-lo.

Referências:

PRENSKY, Marc. Teaching Digital Natives: Partnering for Real Learning. Thousand Oaks: Corwin, 2010.

PRENSKY, Marc. “Don’t Bother Me Mom – I’m Learning!” St. Paul: Paragon House, 2006.

PRENSKY, Marc. Digital natives, digital immigrants. On the Horizon, MCB University Press, v.9, n. 5, out. 2001. Acesso em: 05 abr. 2010.

ROSEN, Larry D. Rewired: Understanding the iGeneration and the way they learn. Nova York: Palgrave Macmillan, 2010.

U.S. DEPARTMENT OF EDUCATION. Report on the Evaluation of Evidence-Based Practices in Online Learning. Washington: Center for Technology in Learning, 2010.

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Biografia

Betina von Staa

Betina von Staa

Coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional e articulista da divisão de portais da Positivo Informática. Autora e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação Vanzolini e Univ. Positivo.
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