Lidando com a necessidade de ter dias de 36 horas

No artigo passado, vimos que, para lidar com a necessidade de realizar tarefas aproximadamente 36 horas por dia, muitas pessoas estão desenvolvendo a habilidade de ser multitarefa. Vamos discutir um pouco esse ponto no que diz respeito à administração dos estudos.

As tecnologias oferecem inúmeras de informações, com todas as gradações de qualidade. Precisamos observar nossas próprias atitudes diante de tantos atrativos e ajudar os mais jovens a fazer as melhores escolhas, também.

Estudos recentes sobre o impacto da tecnologia sobre a educação mostram que tecnologia ajuda a aprender mais, sim, desde que o aluno dedique mais tempo ao estudo. Assim, como tudo o que envolve tecnologia e Internet, também quando se deseja estudar e aprender, elas oferecem mais possibilidades para absorver o nosso tempo. Por isso, é preciso dedicar-se menos a atividades pouco relevantes, para que se desenvolvam novas habilidades, para aprender novos conceitos ou compreender contextos diferentes daqueles aos quais estamos acostumados.

Somos vítimas constantes de uma competição cada vez mais acirrada pelo nosso tempo: os amigos e familiares desejam a nossa atenção e sabem como buscá-la; os fornecedores de notícias querem a nossa atenção; os produtores culturais também disputam por ela; os chefes e as chefas querem o nosso trabalho; os professores exigem nosso estudo e dedicação; os games nos absorvem e remetem a um outro mundo durante horas contadas em unidades de tempo deste nosso mundo aqui. Precisamos aprender a lidar com tudo isso.

Cada um de nós, nativo digital ou não, terá que aprender qual e-mail ler primeiro, como organizar suas caixas postais, quando ligar e quando desligar os comunicadores instantâneos, quando ligar e quando desligar o celular, quando atender e quando não atender uma chamada, quando ouvir música enquanto faz outra coisa e quando se dedicar exclusivamente ao estudo, ao trabalho, ao lazer, aos amigos ou aos parentes. Mesmo nos momentos de dedicação exclusiva, será necessário se organizar para decidir o que ler primeiro, o que ler superficialmente, o que ler em profundidade, o que ouvir, o que assistir, etc.

Quem não aprender a se organizar, corre o risco que trabalhar pior, aprender menos, divertir-se menos e aproveitar pouco a companhia das pessoas que lhe são queridas. E não precisamos lembrar que os mais jovens, mais impulsivos por natureza, conhecidos por buscar satisfação mais imediata dos seus desejos, precisam de ajuda para descobrir como se desvencilhar desses fatores que disputam pela sua atenção, para aprender a fazer, cada vez mais, as melhores escolhas.

Por fim, para os professores, uma dica: não se intimidem diante dos seus alunos multitarefa. Embarquem na competição pelo tempo deles. Encontrem-nos por meio de blogs e sites. Ofereçam outra enxurrada de informações de qualidade e propostas de trabalho relevantes. Ajudem-nos a organizar o seu tempo e a escolher o que fazer primeiro. De um modo ou de outro, só será benéfico para seus alunos dedicar mais tempo, sequencial ou simultâneo, a atividades que promovem aprendizagem e que desenvolvem atenção, concentração e discernimento.

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Referências

CABRAL, Rafael; GALO, Bruno; FREITAS, Ana. Conectados, multitarefa, radicais, isolados e burros. Estadão.com.br/Tecnologia, 11 out. 2009. Acesso em: 9 ago. 2010.

FALCETA Jr, Walter. Kids Experts identifica perfil da criança multitarefa. M&M online. 26 ago. 2008. Acesso em 9 ago. 2010.

IZQUIERDO, Luis. Generación multitarea. La Vanguardia, Madri, 17 ago. 2008. D . Acesso em: 9 ago. 2010.

MONTEIRO, Elis. Nativos digitais já estão dominando o mundo e transformando a forma como o ser humano se comunica. O Globo/Tecnologia, 18 maio 2009.  Acesso em 9 ago. 2010.

MANOSSO, Radamés. Pessoas multitarefa absorvem menos informação. Bit a bit – aprenda informática. 6 set. 2009. Acesso em 9 ago. 2010.

Thomas. Digital Natives – Are They Really Skilled at Multitasking? Open Education – Free Education for all. Set. 2009. Acesso em: 9 ago. 2010.

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Biografia

Betina von Staa

Betina von Staa

Coordenadora de pesquisa em tecnologia educacional e articulista da divisão de portais da Positivo Informática. Autora e docente de cursos on-line para a COGEAE, a Fundação Vanzolini e Univ. Positivo.
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